Google investe R$ 700 milhões
07/06/2018
Os últimos 15 meses foram os mais intensos para Fábio Coelho desde que o executivo assumiu a presidência do Google no Brasil, em 2011. Nesse período, a companhia investiu em mais projetos simultaneamente e fez o maior aporte desde que iniciou suas operações no país, há uma década: R$ 700 milhões. Para efeito de comparação, entre 2013 e 2016, a empresa de internet aplicou um total de R$ 500 milhões no Brasil.

Os investimentos feitos desde o começo do ano passado incluem a construção de três cabos submarinos, a inauguração de um centro de dados para oferta de serviços de computação em nuvem para empresas e a abertura de um estúdio para produtores de conteúdo para o YouTube no Rio.

O Google não divulga sua receita no Brasil, mas a estimativa é que o valor fique entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões. A companhia representa, sozinha, metade do mercado de publicidade na internet no país, que chegou a R$ 14,8 bilhões no ano passado, um avanço de 26% na comparação com 2016, segundo o Interactive Advertising Bureau (IAB). "Tivemos um crescimento de dois dígitos saudável em 2017. E o primeiro dígito não é um, nem é dois", disse Coelho. Segundo ele, a tendência é que os investimentos no país continuem nos próximos anos, dentro do patamar médio de R$ 125 milhões por ano.

De acordo com o executivo, a migração das empresas para o mundo digital se acelerou nos últimos dois anos por conta da crise, com empresários buscando formas de obter mais retorno de seus investimentos e de adaptar suas ofertas aos novos hábitos dos consumidores - com compras mais planejadas e maior uso de celulares. "O digital deixou de ser percebido como algo bacana para ser algo central nas estratégias das companhias", disse. O movimento tem ocorrido em empresas de todos os portes por razões diferentes. As grandes buscam integrar o mundo das lojas físicas com o ambiente on-line e as pequenos tentam ser mais assertivos na hora de falar com o público.
Para estimular o uso de suas ferramentas de publicidade, o Google tem investido em eventos voltados a segmentos econômicos específicos como, moda e setor moveleiro. Nos encontros, a companhia apresenta tendências detectadas nas buscas feitas pelos internautas que podem ser usadas nas estratégias das empresas (e criam o interesse dos executivos em colocar dinheiro no Google). Em 2017, 75 mil profissionais passaram pela sede da companhia, em São Paulo.

A cidade será sede, hoje, de um evento no qual o Google vai anunciar novos produtos e serviços para o mercado brasileiro. Entre as novidades estão recursos destinado às eleições. Quando um internauta fizer uma busca pelo nome de um candidato, um conjunto de informações sobre ele será apresentado no formato de um quadro. O modelo é parecido com o acordo feito com o hospital Albert Einstein em 2016 para buscas por doenças e sintomas. No caso da eleição, as informações serão compiladas da base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A companhia também vai criar uma página especial, aberta ao público, que vai exibir as principais tendências de buscas relacionadas às eleições. A ideia, segundo Coelho, é ajudar o eleitor a ter mais informações para decidir em quem votar. O Google também tem investido em treinamentos em ferramentas digitais para jornalistas
Na avaliação do executivo, a primeira eleição que terá o investimento em publicidade na internet liberado pela Justiça Eleitoral terá pouco efeito para a companhia e para o mercado em termos de receita por conta da limitação dos gastos das campanhas - o teto, que varia de acordo com o cargo, parte de R$ 1 milhão para deputados estaduais e chega a R$ 70 milhões na disputa para presidente (no 1º turno e R$ 35 milhões se houver segundo turno. "O impacto será mais em termos de informação do que comercial", disse.

Na semana que vem, a companhia fará eventos com partidos e políticos em São Paulo e Brasília para apresentar ferramentas de publicidade que poderão ser usadas durante a campanha. Os recursos são os mesmos disponíveis para empresas e pessoas físicas que queiram anunciar nos serviços da empresa, disse Coelho.

Nos últimos meses, as gigantes do mundo de tecnologia têm sofrido uma grande pressão por parte de consumidores e órgãos reguladores por conta de suas práticas comerciais e de gestão de dados dos usuários. Na avaliação de Coelho, esse questionamento é saudável. "Quando uma pessoa disponibiliza seus dados, ela tem que saber como eles são usados. Nós sempre tratamos isso da forma mais sagrada possível", afirmou
Fonte: Valor




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