Hospital Cristo Redentor integra pesquisa global em neurologia crítica
20/02/2026

O Hospital Cristo Redentor (HCR), do Grupo Hospitalar Conceição, foi o maior centro recrutador de uma pesquisa internacional sobre transfusão de sangue em pacientes neurocríticos que foi considerada uma das mais influentes da área em 2025. O Medscape,  plataforma digital de conteúdo médico, classificou recentemente a pesquisa como um dos três principais estudos sobre neurologia. O ranking do portal foi publicado dia 29 de janeiro. A pesquisa já havia sido destacada pelo Journal ofthe American Medical Association (JAMA), uma das principais revistas da área da saúde, entre os dez estudos mais relevantes em todas as áreas da medicina.

O “Estudo Train” avaliou pacientes com lesões cerebrais em 72 Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) em 22 países. Do Brasil, participaram apenas o HCR e o Instituto do Cérebro, no Rio de Janeiro, ambos 100% SUS, para onde são encaminhados pacientes de casos graves.

O objetivo da pesquisa foi testar o resultado de diferentes níveis de hemoglobina na recuperação de pacientes neurocríticos. Embora níveis altos de hemoglobina sugerissem um efeito protetor no cérebro, as transfusões trazem seus riscos, como reações adversas, infecções e complicações pulmonares. Dos 8.246 pacientes com lesão cerebral traumática (TCE), hemorragia subaracnóidea e hemorragia intracerebral avaliados, 850 foram de fato incluídos no estudo, sendo que 133 deles foram atendidos no Hospital Cristo Redentor.
 

Liderados pela médica intensivista Carla Rynkowski pesquisadora principal no HCR, os pesquisadores avaliaram, ao longo de 24 meses, todos os pacientes que internavam para verificar se cumpriam os critérios de inclusão do estudo. Com autorização da família para participar do estudo, os pacientes eram acompanhados por até 30 dias durante a internação. Após seis meses da alta, outra equipe entrava em contato com a família para aplicar uma escala que classificava o paciente, de acordo com o grau de sequelas, quanto às funções que ele estava conseguindo desempenhar comparado ao momento pré-lesão neurológica .

Os pacientes foram randomizados (alocados de forma aleatória) para seguirem com hemoglobina em níveis de 7ou em 9 g/dL. Após 180 dias, o grupo de pacientes que ficou com hemoglobina mais elevada apresentou menos desfechos neurológicos ruins (como morte, estado vegetativo, sequela com incapacidade grave e limitante),62.6%, comparado a 72,6% no grupo com hemoglobina mais baixa. Ou seja, deve-se combater a anemia de pacientes neurocríticos, mantendo-se a hemoglobina próxima a 9 g/dl, para ampliar as possibilidades de um desfecho favorável.

Segundo Carla Rynkowski, a comunidade científica já tinha a expectativa de que fosse necessário manter esses pacientes com uma hemoglobina um pouco mais elevada para poder levar mais oxigênio ao cérebro, mas não havia comprovação. “Tem todo um racional de base fisiológica para justificar, mas nenhum artigo até hoje tinha conseguido provar isso cientificamente. Esse estudo muda o paradigma a respeito do quanto que a gente deve manter o nível de hemoglobina”, afirma.

“Em torno de 80% da ocupação da nossa UTI é de pacientes neurocríticos, que são pessoas que sofreram trauma que envolveu a cabeça e sistema nervoso central ou pacientes que tiveram AVC hemorrágico”, explica Fernanda Zanotto Kramer, gerente de Internação do HCR. “Além de contar com equipamentos de ponta que permitem a monitorização adequada, a equipe multiprofissional da UTI é especializada nesse tipo de atendimento”, acrescenta. Segundo ela, esses fatores, aliados ao grande número de pacientes graves que ingressam na unidade, contribuíram para que a instituição fosse o principal centro recrutador da pesquisa.

A equipe de pesquisa celebra o reconhecimento do estudo e destaca que um dos seus frutos é a alteração de protocolos de instituições de saúde para que os pacientes neurocríticos mantenham sua hemoglobina em torno de 9, com transfusão se necessário. No Hospital Erasmus, na Bélgica, que foi o centro da pesquisa, já foi adotado o limiar liberal como protocolo padrão, e a Dinamarca está integrando-o em suas diretrizes nacionais de transfusão. “Sabemos da dificuldade enfrentada pelos bancos de sangue, mas uma ou duas bolsas a mais para esses pacientes pode fazer muita diferença no desfecho”, afirma Rynkowski. Como alternativas, ela cita estratégias para economizar sangue e campanhas para incentivar a doação.

O grupo também espera que o reconhecimento estimule outros hospitais brasileiros que atendem grandes volumes de pacientes a também participarem de pesquisas que possam responder perguntas da prática clínica.





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