Amil põe hospitais à venda junto com plano individual
20/11/2020

A Amil está vendendo as carteiras de planos de saúde individual dos usuários de São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. A negociação envolve ainda os hospitais Paulistano, Caieiras e Sumaré, localizados em São Paulo, e o Hospital Vitória, na capital do Paraná, segundo o Valor apurou. 

A possibilidade de uma venda casada está sendo ofertada porque uma das estratégias dessa transação é vender a carteira de planos individuais para as operadoras verticalizadas. Pelas regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a empresa que adquirir essas carteiras é obrigada a oferecer aos usuários hospitais do mesmo padrão dos ofertados pela Amil. Esses quatro hospitais colocados à venda são os mais utilizados pelos usuários dos planos individuais da Amil. No entanto, ainda assim, há risco de judicialização, porque há uma parcela de beneficiários da Amil que contratou convênios médicos com direito a outros hospitais. “É preciso uma negociação individualizada com os usuários para que eles continuem usando a rede da Amil ou sejam convencidos a trocar. É uma transação bem complexa”, disse uma fonte. 

A Amil tem um total de 465 mil usuários de planos individuais, mas o que está a venda representa cerca de 370 mil beneficiários. As três carteiras de São Paulo, Rio e Curitiba têm juntas um lucro operacional de R$ 264 milhões. A transação está sendo tocada pela equipe americana da UnitedHealth Group, dona da Amil, que contratou o BTG Pactual. O banco já conversou com cerca de 15 potenciais interessados, mas as negociações não avançaram até o momento, devido à complexidade da transação, ainda de acordo com fontes. 

O grupo americano tenta se desfazer dessas carteiras desde o primeiro semestre, mas na época os hospitais ainda não faziam parte do pacote. 

Um ponto negativo destacado pelas fontes é a taxa de sinistralidade muito elevada, o que torna o negócio deficitário. Na carteira paulista, que tem 272 mil vidas, a sinistralidade do ano passado variou entre 91% a 112%. No Rio de Janeiro, com 95 mil vidas, esse índice oscila de 78% a 82%. Já em Curitiba, que tem cerca de 26 mil clientes, a sinistralidade vai de 90% a 109%. Uma operação rentável tem uma sinistralidade na casa dos 75% ou menos. 

Ainda de acordo com fontes, a venda da carteira de plano individual não é uma unanimidade dentro da Amil. Alguns acreditam que um trabalho intenso de gestão de saúde, uso de tecnologia de dados e boa preficicação em novos contratos podem melhorar os números deficitários. A operadora não vende há muitos anos planos para pessoa física e com isso, a carteira tem um grande contingente de pessoas mais velhas, com alto custo. Além disso, há um parcela relevante de contratos firmados antes da Lei dos Planos de Saúde, de 1998, quando as regras eram mais frouxas. 

Os defensores da manutenção da carteira na companhia destacam que o tíquete médio do plano individual é maior se comparado ao empresarial e as taxas de cancelamento e inadimplência em praças como São Paulo são menores, devido à escassez do produto. 

 

Fonte: Valor




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