Alta na ocupação de leitos de UTI leva SP a apertar restrições
23/02/2021

O aumento da ocupação dos leitos de terapia intensiva vão levar o governo de São Paulo a anunciar amanhã nova revisão em sua estratégia de combate à pandemia. O Estado deve impor novas limitações de mobilidade e ao funcionamento de estabelecimentos em algumas regiões, com possíveis reclassificações para bandeiras mais restritivas ou adoção de medidas até mais severas que as descritas na fase vermelha, a mais rígida. 

Segundo a área da saúde, o Estado registrava ontem, no início da tarde, 6.410 pacientes internados em UTIs-covid. A máxima até então havia sido de 6.250, apontou o coordenador executivo do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, João Gabbardo, em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes. 

Ele informou que a equipe multidisciplinar já apresentou ao governador João Doria as recomendações “extraordinárias” do Plano São Paulo, que devem ser anunciadas na quarta-feira para entrar em vigor já na sexta. As medidas vão impactar a mobilidade, que segundo Gabbardo é o único meio disponível até o momento para conter a alta na transmissão. 

O médico ressaltou que o número de pacientes internados tem se mantido bem mais alto que no início da pandemia, mesmo sem aceleração significativa nos casos. Para ele, essa desproporção pode indicar que os pacientes mais recentes vêm sendo acometidos por formas mais graves da doença, o que estende a permanência no hospital. 

 

A comparação entre dados da sexta e da sétima semanas epidemiológicas já havia mostrado alta de 5,6% nas internações em leitos de UTI, pelos informes computados até 10h30 de ontem. Segundo o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, neste início da oitava semana epidemiológica, a taxa de ocupação era de 67,9% no Estado e de 67,8% na Grande São Paulo. 

Apesar disso, Gorinchteyn apontou queda de 9,5% no número de casos, e recuo de 5,5% nos óbitos pelos dados da manhã. Mas ponderou que podem haver registros represados, que em geral são reportados depois. 

“Temos que ter especial atenção a algumas regiões do Estado, principalmente aquelas que estão nos faseamentos vermelho e laranja do Plano São Paulo, para que não haja um impacto ainda maior no sistema de saúde”, alertou ele. 

Coordenador de controle de doenças, Paulo Menezes observou que os indicadores de algumas regiões, principalmente do interior, aumentaram as preocupações em relação à curva da pandemia. Tanto quanto às taxas de ocupação de UTIs quando de transmissão. 

“Alguns municípios, como é o caso de Araraquara, têm intensificado as medidas de restrição além do que o Plano São Paulo coloca”, pontuou. 

O município de Araraquara entrou em lockdown total, o que ontem deixou as ruas desertas. Bancos estão fechados, supermercados só atendem por delivery, e há rígido controle para impedir a circulação de pessoas. Já a Prefeitura de São Bernardo do Campo anunciou que vai decretar toque de recolher a partir do próximo sábado, entre 22h e 5h. A volta às aulas presenciais também foi suspensa, passando de 1º para 15 de março. 

O relaxamento das regras preventivas ou a impossibilidade de cumpri-las têm provocado altas nos indicadores em outros pontos do país. No Acre, assolado por cheias que deixaram grande parte da população desabrigada, foram observados, de 31 de janeiro a 13 de fevereiro, a redução do isolamento e o disparo do número de internações. Isso tanto em leitos de enfermaria quanto de UTIs, com taxas de ocupação superiores a 70% e 90%, respectivamente, até o fechamento desta edição. Já no Rio Grande do Sul, a taxa de ocupação de leitos de UTI adulto era de 86,4% ontem à noite. No Amazonas, o indicador estava em 94,57%. 

O governo de São Paulo confirmou ontem que começará a enviar hoje, ao Ministério da Saúde, novo lote que soma 3,4 milhões de doses de vacinas. A remessa será feita em lotes de 426 mil doses de Coronavac por dia, em média, mas segundo o governador João Doria, a intenção é acelerar a produção. (Colaborou Hugo Passarelli) 

Fonte: Valor




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