Grupos de saúde avançam fora do eixo Rio-SP e aceleram consolidação
07/04/2021

Grandes redes hospitalares e laboratórios estão avançando fronteiras fora do eixo Rio-São Paulo para expandir seus domínios em regiões onde o agronegócio cresce e em capitais do Nordeste, em mais um movimento de consolidação do setor. 

Com o caixa gordo depois de fazer uma captação de R$ 11,4 bilhões no fim do ano passado em sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), a Rede D’Or tem planos ambiciosos para fazer uma “interiorização” de sua marca, apurou o Valor. Com cerca de 50 hospitais, a companhia vai continuar crescendo por meio de aquisições - a empresa anunciou na segunda-feira a compra de 51% de uma unidade em Belo Horizonte -, mas também quer expandir seu negócio com a construção de pelo menos 10 novos hospitais em regiões onde não está presente. 

 

 
Uma das maiores redes hospitalares privadas do país, a companhia fundada pela família Moll deu passos importantes nos últimos anos para chegar em capitais importantes do Nordeste, com aquisições na Bahia, Sergipe, Ceará, Pernambuco e Maranhão, além de expandir seus negócios no Paraná, Estado onde o agronegócio é pujante. A rede também avalia a região Centro-Oeste, onde ainda não está presente. 

Também com planos agressivos, o grupo Fleury tem acompanhado de perto o ciclo de expansão das commodities e avalia oportunidades em áreas onde a riqueza do agronegócio está concentrada, diz Carlos Marinelli, presidente da companhia. 

A estratégia de expansão do Fleury, conta o executivo, é adquirir marcas já consolidadas em suas regiões. Segundo Marinelli, o grupo fez importantes movimentos de compra “na faixa litorânea do Nordeste” nos últimos três anos, como em Natal e São Luís, e vê uma mudança importante de expansão do setor de saúde, após a pandemia. “Temos visto uma nova maneira de se consumir saúde com a telemedicina”, afirma. 

Desde abril de 2020, o Fleury realizou 281 mil consultas à distância - 40% delas em regiões onde o grupo não está presente. A área genômica é uma das principais apostas de expansão da companhia. Marinelli confirma que avalia oportunidades de aquisições no setor, mas não dá detalhes. 

Com a consolidação do setor de saúde, grandes grupos estão disputando ativos nas mesmas regiões. A fusão entre as operadoras verticalizadas Hapvida e Intermédica tornou ainda mais competitiva a concorrência neste mercado. Rede D’Or, Dasa, Pátria Investimentos (dono da Athena Saúde) estão “brigando” pelos mesmos negócios e esse movimento vai se intensificar nos próximos meses, com o levantamento de recursos dessas empresas no mercado de capitais, segundo fontes ouvidas pelo Valor. 

Em dezembro, o Grupo Dasa desembolsou R$ 1,7 bilhão para a compra da rede hospitalar Leforte, que possui três unidades e cinco clínicas médicas em São Paulo. A compra é um movimento claro do grupo de verticalizar os seus negócios - a família Bueno (fundadora da Amil) criou uma holding que reuniu a empresa de medicina diagnóstica, a Dasa, e o grupo hospitalar Ímpar. Ontem, o grupo concluiu processo de relançamento da companhia na bolsa, operação conhecida no mercado como re-IPO. A companhia levantou cerca de R$ 3,8 bilhões nesta transação, segundo apurou o Pipeline, site de negócios do Valor. Boa parte desses recursos terá como destino aquisições para continuar o processo de consolidação da companhia. 

 

Dono de uma rede de hospitais no interior de São Paulo e também no Nordeste, o Pátria Investimentos também planeja abrir o capital da Athena para fazer a expansão do seu negócio de saúde. Fontes afirmam que o fundo de private equity está olhando ativos no interior de São Paulo. 

Com a pandemia, muitos grupos hospitalares de gestão familiar estão com dificuldades de gerir os seus negócios. E é nesta fragilidade que as grandes redes e laboratórios estão buscando fazer a expansão. 

“Há um pipeline grande de oportunidades de negócios com a crise da covid-19. Tem vários grupos que não estão conseguindo atravessar a pandemia e enfrentam problema de caixa”, disse um executivo de uma das maiores redes hospitalares do país. 

Procurados pela reportagem, o Grupo Dasa, a Rede D’Or e o Pátria Investimentos não quiseram conceder entrevista. 

Fonte: Valor




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