Sírio-Libanês reestrutura-se para competir com grandes grupos
21/07/2021

 

A consolidação no setor de saúde já afeta hospitais filantrópicos de excelência que atendem a alta renda. O Hospital Sírio-Libanês está promovendo uma reestruturação para se blindar da expansão dos grandes grupos. Entre as ações planejadas estão a contratação de um CEO de mercado, criação de novas fontes de receita como uma faculdade de medicina e de um plano para evitar que seus médicos migrem para a concorrência, apurou o Valor . 

Entre os nomes no radar do Sírio, segundo fontes, estão José Loureiro, ex-presidente do grupo educacional Laureate Brasil; Antonio José Pereira, CEO do HC - Hospital das Clínicas; e Mohamed Parrini, do Hospital Moinhos de Vento - os três têm formação executiva e não médica. 

 

O escolhido vai trabalhar ao lado do médico Fernando Ganem, anunciado em abril como substituto de Paulo Chapchap, que presidiu o Sírio nos últimos cinco anos e há cerca de 20 dias foi contratado pela Dasa como conselheiro estratégico da área hospitalar do grupo. 

Procurado pelo Valor, o Sírio-Libanês confirmou que está promovendo mudanças em sua estrutura corporativa. “Com a composição da nova Diretoria da Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês em abril de 2021, a instituição iniciou um processo de reestruturação de gestão, levando em conta as necessidades dos pacientes, do seu corpo clínico e do cenário atual do setor hospitalar. Já na próxima semana, o Hospital Sírio-Libanês terá a chegada de um novo gestor para a área financeira. A instituição está acompanhando o mercado e segue avaliando a necessidade de trazer novos executivos que complementem as competências necessárias para essa transformação”, informou, em nota. 

A preocupação do Sírio tem fundamento e internamente a ordem é segurar a ida de médicos para a concorrência. Os grandes grupos estão extremamente capitalizados e investindo em pesquisa, centros médicos de excelência e contratando médicos renomados, ou seja, seguindo a mesma cartilha dos hospitais filantrópicos. A Rede D’Or, por exemplo, levou para sua equipe nomes como Paulo Hoff, oncologista que durante dez anos foi do Sírio, e Antonio Luiz Macedo, cirurgião de longa carreira no Albert Einstein. Além de contratar os “medalhões” por cifras milionárias, a D’Or já investiu mais de R$ 1 bilhão na construção do Vila Nova Star, um hospital de alto padrão que em poucos anos virou referência. E, recentemente, a família Moll, controladora da Rede D’Or, anunciou uma doação de R$ 500 milhões para pesquisas científicas. 

Essa reestruturação está sendo liderada pelo novo conselho, eleito em maio e que fazia oposição à gestão anterior. Nos últimos anos, houve uma disputa política entre os conselhos das senhoras da sociedade beneficente e da diretoria, que levou à saída de nomes como o do economista Pérsio Arida, do empresário Tadeu Carneiro, ex- CBMM, e mais recentemente de Paulo Chapchap, que compunham o conselho e a diretoria. 

O novo comando do hospital tem como presidente do conselho a empresária Denise Alves da Silva Jafet, neta da fundadora do Sírio. O conselho de administração também ganhou quatro integrantes independentes: Anis Chacur Neto, ex-presidente do banco ABC, Chaim Zaher, presidente do Grupo SEB Educação, Marcos Rocha Awad, diretor da São Francisco Saúde (adquirida pela Hapvida) e Henrique Luz, ex- PwC. 

Com longa experiência em educação, Zaher foi convidado para ajudar a destravar um projeto de criação de uma faculdade de medicina, que há anos está no papel - o plano é anterior ao Hospital Albert Einstein criar sua faculdade de medicina, uma das mais conceituadas do país. O Sírio já tem um braço de educação com renomados cursos de especialização. 

Ainda segundo fontes, estão sendo analisadas outras fontes de receita como consultórios em farmácias, aos moldes do que há nos Estados Unidos, ampliação da telemedicina e novas parcerias. O projeto ainda é preliminar e a ideia é que o novo CEO ajude a desenvolver o “business plan”. Em 2019, o Hospital Sírio-Libanês apurou receita de R$ 2,2 bilhões, alta de 10% em relação a 2018. 

O novo conselho ainda está decidindo qual caminho seguir. A gestão anterior optou por uma estratégia mais expansionista, com uma diversificação de serviços de saúde como consultorias ao mercado corporativo, medicina diagnóstica e abertura de uma unidade do Sírio-Libanês em Brasília. Essa ampliação geográfica foi tema de muitos embates nos últimos anos entre os conselhos deliberativo e de senhoras da comunidade que tinham visões opostas. O atual comando tem preferência por crescer apenas em São Paulo e continuar atendendo o público premium, segundo fontes. 

Já os grandes grupos estão expandindo nacionalmente, ganhando escala para reduzir custos e buscando capital no mercado financeiro. Os hospitais filantrópicos de excelência atuam, basicamente, em São Paulo - praça que virou referência em atendimento hospitalar de qualidade, muito devido às instituições de saúde sem fins lucrativos que reinvestem seus ganhos em pesquisa e qualidade. Os hospitais filantrópicos são os responsáveis pela régua da qualidade médica ter subido, motivando outros grupos de saúde a investirem nessa mesma linha. 

Os filantrópicos não estão paralisados diante da concorrência. A BP - Beneficência Portuguesa não tem mais 60% de seus atendimentos médicos voltados ao SUS, o Alemão Oswaldo Cruz tem uma unidade que trabalha exclusivamente com modelo de remuneração baseado em performance e o Albert Einstein abriu neste ano uma unidade em Goiás. 

 

Fonte: Valor




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