Práticas de gestão enxuta otimiza cuidados intensivos e eleva certificação hospitalar
16/04/2024

Derivado do método Toyota, o sistema Lean está transformando aspectos fundamentais na medicina intensivista e na acreditação hospitalar. A primeira trata pacientes em estado crítico, principalmente em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Já a acreditação hospitalar engloba uma série de processos e análises para garantir e certificar a qualidade dos serviços de saúde, com foco na segurança dos pacientes.

O Lean introduz uma série de práticas que visam aprimorar a gestão organizacional. Este modelo propõe a constante eliminação de desperdícios nos processos, a maximização do valor em todas as atividades, uma atenção diária à resolução de problemas e ao desenvolvimento de pessoas. Amplamente adotado por hospitais e clínicas, esta metodologia tem se destacado na otimização da medicina intensiva e no apoio à busca pela acreditação hospitalar. 
 

Medicina intensivista

Embora em estágio inicial, especialistas reconhecem o potencial para transformar o setor. Por exemplo, o Hospital de Amor começou, há quatro anos, a implementar práticas do Lean em diversas áreas, especialmente na UTI . A diretora médica, Cristina Prata Amendola, destaca os resultados positivos, como uma gestão mais eficiente das filas de pacientes e uma maior segurança, por meio da padronização e da gestão visual dos processos.

Para Amendola, o Lean tem o potencial de transformar a cultura organizacional, incentivando profissionais a analisarem criticamente as rotinas e os processos, a fim de buscar melhorias contínuas. Esse compromisso é vital tanto na medicina intensiva quanto em outras áreas da saúde.

O médico intensivista Ederlon Rezende, presidente do Conselho Consultivo da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), ressalta a importância da gestão na medicina intensiva e a necessidade de eliminar desperdícios, uma das premissas do Lean. Ele destaca que a eficácia do método na otimização de processos pode melhorar significativamente a qualidade da assistência aos pacientes.

Segundo ele, a medicina intensivista é uma especialidade que sempre gera um custo elevado às organizações de saúde. Por isso, é fundamental priorizar, na gestão de UTIs, a eliminação de desperdícios, outra base do sistema lean.

“O sistema lean, cuja essência e melhorar processos, tem absoluta aplicabilidade nesse setor. E eu não tenho dúvidas de que ele pode contribuir para uma melhor e mais segura assistência aos pacientes. As oportunidades de eliminação de desperdícios nas UTIs são enormes. E nós sabemos que os recursos na saúde são finitos”, disse o médico.

Acreditação hospitalar

Gilvane Lolato, gerente operacional da Organização Nacional de Acreditação (ONA), afirma que a otimização e a padronização dos processos, bem como a redução de desperdícios, são elementos essenciais tanto para a acreditação quanto para o Lean. Essa sinergia é evidente em diversas instituições de saúde pelo Brasil. A implementação do Lean tem gerado melhorias significativas nos processos, reduzindo falhas e aumentando a eficiência.

“Porque tanto o lean quanto a acreditação buscam atingir patamares muito similares. Por exemplo, reduzir o retrabalho, melhorar a funcionalidade dos processos, diminuir as etapas que não agregam valor, entre outras”, resumiu Gilvane.

Segundo ela, trata-se de uma “via de duas mãos”. O método lean contribui com a acreditação, e a Acreditação impulsiona a necessidade de se implementar o sistema lean nas instituições. A especialista conta que já testemunhou diversos hospitais pelo Brasil em que um complementa o outro.
 

“Eles conseguiram uma redução drástica de falhas nos processos, do tempo de atendimento, para liberação de resultados de exames, de retrabalho, entre diversas outras melhorias”, disse a especialista.

Para Paloma Rubinato, head para Saúde do Lean Institute Brasil (LIB), o sistema lean melhora a jornada em uma UTI porque é possível, com o método, entender melhor os processos e, assim, identificar, priorizar e resolver os problemas na causa, melhorando a gestão tanto para os profissionais, pacientes e familiares.

Segundo ela, práticas essenciais do sistema lean, como o Mapeamento do Fluxo de Valor, o método de resolução de problema e Gestão à Vista, podem melhor a medicina intensivista em diversos aspectos. Por exemplo, melhorando a previsibilidade de alta, agilizando processo de admissão dos pacientes e tornando mais efetiva a comunicação entre departamentos.

De forma similar, complementa Paloma Rubinato, as instituições podem se beneficiar do método lean para melhorar e garantir os processos e gestão de cada setor, o que pode contribuir para a busca e conquista da acreditação hospitalar.

O Lean Institute Brasil (LIB), em parceria com a AMIB e a ONA, busca promover a troca de conhecimentos entre profissionais da saúde e impulsionar a aplicação do Lean na gestão hospitalar. Essa colaboração inédita tem o potencial de elevar a qualidade do cuidado com pacientes críticos em todo o país e fortalecer os esforços em prol da melhoria contínua na saúde.

Segundo o presidente do Conselho Consultivo da AMIB, a parceria, além de inédita, pode, em médio e longo prazos, contribuir para a melhoria da qualidade do cuidado com pacientes críticos de todo o país. E, em última instância, ajudar a salvar mais vidas.
 

“O objetivo é disseminar esse conhecimento e fazer com que o maior número possível de profissionais tenha acesso e possa trazer essa metodologia lean para o dia a dia das UTIs”, resumiu o presidente do Conselho Consultivo da AMIB.

De maneira similar, a gerente da Associação Brasileira de Acreditação (ONA) acredita que a parceria, além de inédita, é uma oportunidade de multiplicar ambos os conhecimentos nas organizações de saúde, mas de maneira conjunta.

“Essa integração vai gerar mais e melhores resultados. Nós trabalhamos visando a redução de falhas. Para isso, exigimos melhorias nos processos. E o lean é a base da melhoria contínua. Então, a acreditação é uma parceira natural do lean. Ambos os caminhos são verdadeiros. E um ajuda o outro. O lean impulsiona a acreditação, e a acreditação impulsiona o lean”, resumiu a gerente da ONA.





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