A intenção de venda já estava na mesa desde o falecimento do fundador do grupo Aziz Chedid Neto, em 2020, que enquanto vivo sempre foi opositor ao negócio. O ex-presidente João Carlos Regado, que morreu em maio, vinha conversando com representantes da Amil, quando a Assim ainda estava sem banco contratado, segundo fontes.
A Assim Saúde negou que tem interesse em vender sua operação e que contratou o Itaú BBA como seu “advisor”. Informou se tratar de especulação de mercado.
Há cerca de três anos, quando o setor de saúde negociava múltiplos de 15 vezes, a Assim chegou a ser avaliada por cerca de R$ 2 bilhões, mas esse valor é considerado elevado nos dias atuais em que esse indicador está mais próximo de seis vezes.
No ano passado, a Assim Saúde apurou receita líquida de R$ 2,5 bilhões e lucro operacional de R$ 29,1 milhões. Uma das dificuldades do grupo, de acordo com fontes, é que a rede própria hospitalar queima caixa, uma vez que sua taxa de utilização pelos usuários do plano de saúde é baixa.
Além da Assim, a Hapvida tem interesse na Leve Saúde, operadora carioca de planos de saúde voltada à terceira idade que está em conversas com fundos para a venda de uma fatia minoritária, segundo o Valor apurou.
A Leve Saúde nega que haja negociações com a Hapvida. A operadora da família Pinheiro informou que não comenta sobre rumores de mercado.
O mercado de saúde no Rio de Janeiro está passando por um momento delicado com a crise da Unimed Ferj (que adquiriu a carteira da Unimed-Rio) e o fechamento da Golden Cross. Hospitais, clínicas e laboratórios cariocas amargam dívidas de cerca de R$ 2 bilhões deixadas pelas operadoras.
Em paralelo às conversas para possíveis aquisições, a Hapvida está investindo R$ 380 milhões para construção de um hospital de alta complexidade com 250 leitos e três centros médicos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Essa expansão orgânica será concluída até o fim de 2026, informou a companhia na semana passada. A empresa tem hoje quatro hospitais no Rio de Janeiro.
Procurada, a Amil “informa que avalia sempre oportunidades de negócios que fortaleçam seu posicionamento e o sistema de saúde”. Frisou, contudo, que não “comenta especulações”.
A Bain informou que não está envolvida nessa transação.