Grupo Assim contrata Itaú BBA para venda da companhia, dizem fontes
05/08/2025
O grupo carioca Assim Saúde, operadora verticalizada de convênio médico e dental, contratou o Itaú BBA para estruturar a venda da companhia, apurou o Valor com fontes a par do assunto. A operação vai para a rua em um momento de aquecimento de transações de fusões e aquisições (M&As, na sigla em inglês) no setor de saúde, com os principais conglomerados buscando fortalecimento inorgânico. 

Nos bastidores, um forte candidato seria o fundo de private equity (que compra participação em empresas) Bain Capital. A gestora teve uma experiência bem sucedida na área de saúde com a NotreDame Intermédica, operadora verticalizada que fez uma fusão com sua concorrente Hapvida, em 2021. Ainda segundo fontes, as operadoras Hapvida e Amil também demonstraram interesse no grupo que é dono de uma operadora de planos de saúde com 525 mil usuários e uma rede própria com cerca de seis hospitais, no Rio. 
 

A intenção de venda já estava na mesa desde o falecimento do fundador do grupo Aziz Chedid Neto, em 2020, que enquanto vivo sempre foi opositor ao negócio. O ex-presidente João Carlos Regado, que morreu em maio, vinha conversando com representantes da Amil, quando a Assim ainda estava sem banco contratado, segundo fontes. 
 

A Assim Saúde negou que tem interesse em vender sua operação e que contratou o Itaú BBA como seu “advisor”. Informou se tratar de especulação de mercado. 
 

Há cerca de três anos, quando o setor de saúde negociava múltiplos de 15 vezes, a Assim chegou a ser avaliada por cerca de R$ 2 bilhões, mas esse valor é considerado elevado nos dias atuais em que esse indicador está mais próximo de seis vezes. 

No ano passado, a Assim Saúde apurou receita líquida de R$ 2,5 bilhões e lucro operacional de R$ 29,1 milhões. Uma das dificuldades do grupo, de acordo com fontes, é que a rede própria hospitalar queima caixa, uma vez que sua taxa de utilização pelos usuários do plano de saúde é baixa. 
 

Além da Assim, a Hapvida tem interesse na Leve Saúde, operadora carioca de planos de saúde voltada à terceira idade que está em conversas com fundos para a venda de uma fatia minoritária, segundo o Valor apurou. 
 

A Leve Saúde nega que haja negociações com a Hapvida. A operadora da família Pinheiro informou que não comenta sobre rumores de mercado. 
 

O mercado de saúde no Rio de Janeiro está passando por um momento delicado com a crise da Unimed Ferj (que adquiriu a carteira da Unimed-Rio) e o fechamento da Golden Cross. Hospitais, clínicas e laboratórios cariocas amargam dívidas de cerca de R$ 2 bilhões deixadas pelas operadoras. 
 

Em paralelo às conversas para possíveis aquisições, a Hapvida está investindo R$ 380 milhões para construção de um hospital de alta complexidade com 250 leitos e três centros médicos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Essa expansão orgânica será concluída até o fim de 2026, informou a companhia na semana passada. A empresa tem hoje quatro hospitais no Rio de Janeiro. 

Procurada, a Amil “informa que avalia sempre oportunidades de negócios que fortaleçam seu posicionamento e o sistema de saúde”. Frisou, contudo, que não “comenta especulações”. 
 

A Bain informou que não está envolvida nessa transação. 


 




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