A indústria brasileira de dispositivos médicos consolidou sua expansão internacional no primeiro semestre de 2025, registrando um crescimento de 7,5% nas exportações em comparação ao mesmo período do ano anterior. O valor total alcançou impressionantes US$ 572,6 milhões, evidenciando o reconhecimento global da qualidade dos produtos de saúde fabricados no Brasil e fortalecendo o posicionamento estratégico do país na cadeia global de saúde.
“Os resultados demonstram a confiança internacional na tecnologia e inovação da indústria nacional. Nosso setor entrega qualidade, segurança e competitividade para sistemas de saúde em diversos países”, destaca Larissa Gomes, gerente de projetos e marketing da ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos).
O desempenho positivo também se refletiu nas 135 empresas participantes do Brazilian Health Devices (BHD), projeto setorial da ABIMO em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Estas companhias exportaram US$ 74,2 milhões no período, mantendo o ritmo de crescimento e conquistando novos mercados. Um dado significativo revela que mais da metade das empresas do BHD expandiram para novos destinos, enquanto 27,4% começaram a exportar produtos anteriormente comercializados apenas no mercado doméstico.
“Este movimento demonstra maturidade exportadora. As empresas estão inovando, diversificando seu portfólio e alcançando novos compradores em diferentes regiões do mundo”, complementa Larissa.
Entre os 174 países que adquiriram produtos da indústria brasileira, os Estados Unidos mantêm a liderança como principal destino, com importações superiores a US$ 150 milhões, representando mais de 25% do total exportado. Este volume expressivo intensifica a preocupação do setor diante do “tarifaço” anunciado pelo governo de Donald Trump, que pretende aplicar uma alíquota de 50% sobre todos os produtos brasileiros que entrarem no país.
Após os EUA, países latino-americanos figuram como importantes compradores: Argentina (US$ 44,7 milhões), Colômbia (US$ 42,5 milhões), México (US$ 41,2 milhões) e Chile (US$ 29,4 milhões). Juntos, estes cinco mercados respondem por 53,7% do total exportado pelo setor.
O primeiro trimestre foi determinante para o resultado semestral positivo. Somente entre janeiro e março, o setor acumulou US$ 288,4 milhões em vendas internacionais.
No primeiro semestre de 2025, mais de 200 tipos de produtos foram exportados para diferentes regiões do mundo. Os itens médico-hospitalares lideraram com 66,3% do total e crescimento de 6,27% no período. Destacam-se categutes esterilizados para suturas cirúrgicas (US$ 76,1 milhões), válvulas cardíacas (US$ 49,3 milhões), sacos e bolsas de plástico para uso médico (US$ 37,2 milhões) e pensos adesivos (US$ 24,5 milhões).
A odontologia também apresentou desempenho favorável, com US$ 67,13 milhões exportados e alta de 7,45% em relação ao primeiro semestre de 2024. O segmento de reabilitação registrou o maior crescimento percentual: 19,9%, totalizando US$ 64,3 milhões.
As 135 fabricantes participantes do projeto BHD finalizaram o semestre com US$ 74,2 milhões em exportações, resultado ligeiramente superior ao mesmo período do ano anterior.
No âmbito do BHD, os produtos odontológicos representaram 33,9% do total, seguidos pelos médico-hospitalares (32,7%), reabilitação (30,6%) e laboratório (2,59%). Estas empresas comercializaram 190 produtos em 125 países, com destaque para EUA, Argentina, Colômbia, Chile e Paraguai como principais destinos. Em 68 desses mercados houve aumento no volume exportado, demonstrando maior confiança e fortalecimento das parcerias internacionais.
Um indicador positivo adicional revela que mais da metade das empresas participantes do BHD abriram novos mercados neste primeiro semestre, enquanto 27,4% passaram a exportar produtos anteriormente comercializados apenas no mercado interno. Destacam-se artigos e aparelhos ortopédicos e de prótese, instrumentos e aparelhos de odontologia e de medicina, além de cimentos para obturação dentária.