Hospitais privados e ONGs são elo importante para cobrir déficit da saúde indígena
07/08/2025

Por meio de parcerias com o setor público, o Hospital Israelita Albert Einstein tem expandido sua atuação em regiões remotas do país, com atenção especial a comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas. A mais recente iniciativa, lançada em junho de 2025, é o projeto “Jornada Materno Infantil e Prevenção do Câncer do Colo do Útero”, realizado junto à Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) no âmbito do Proadi-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS), do Ministério da Saúde. 

A proposta é aprimorar práticas assistenciais, ampliar o acesso e reduzir as desigualdades nos cuidados com mulheres e crianças indígenas. “Existem, hoje, indicadores críticos relacionados à saúde dos povos originários”, afirma Sidney Klajner, presidente do Einstein, em entrevista ao Prática ESG. 

Ele cita como exemplos o baixo índice de rastreamento do câncer do colo do útero, o que contribui para uma maior taxa de letalidade da doença. A baixa adesão ao acompanhamento pré-natal ou início tardio do cuidado, assim como o atraso no manejo de complicações e situações de risco são outros fatores que contribuem para a elevada taxa de mortalidade materna e infantil, de acordo com o gestor. 

Portanto, entre as prioridades hoje, estão a prevenção e tratamento de lesões que podem levar a câncer do colo do útero, a redução de complicações durante e após o período gestacional e, na saúde infantil, a assistência do período neonatal até o primeiro ano de vida das crianças. 

“Por meio da colaboração entre SESAI, DSEI [Distrito Sanitário Especial Indígena], lideranças de comunidades indígenas e equipe técnica do Einstein, o projeto tem o potencial de aprimorar o planejamento de ações e políticas públicas de saúde para melhorar esse cenário”, aponta Klajner. 

No Brasil, a Razão de Morte Materna (RMM) de 2021 aponta 107.53 óbitos por 100 mil nascidos vivos, sendo que o compromisso do país é a redução para 30 mortes/100 mil até 2030. Em nível nacional, as principais causas da mortalidade materna são hipertensão (pré-eclâmpsia e eclampsia), hemorragias graves (principalmente após o parto), infecções (normalmente depois do parto), complicações no parto e abortos inseguros. O número de mortes de mulheres pretas e pardas é o dobro das brancas. No caso das indígenas, não há dados claros. 

Durante a 366ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Saúde (CNS), em maio, Marília Freire, presidente do Coletivo Feminista Humaniza, alertou que mulheres indígenas no Amazonas frequentemente não são reconhecidas como tal no sistema de saúde, sendo registradas como pardas. A falta de dados específicos dificulta a formulação de políticas adequadas e compromete o atendimento. Aline de Oliveira Costa, diretora do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência (DAHU), da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (Saes), reforçou que é necessário adotar estratégias diferenciadas, já que a mortalidade materna é maior entre mulheres pretas e indígenas. 

Um dos eixos do trabalho na Amazônia é a formação de agentes locais. “Na comunidade do Pimental, por exemplo, a gente treinou um grupo de pessoas da própria comunidade para fazer a escuta ativa, o acolhimento e a orientação básica”, conta o executivo. O programa ensina os profissionais a identificar riscos, como febre e pressão alta em mulheres grávidas A partir disso, conseguem acionar o sistema de saúde e evitar complicações e até a morte de mães e fetos. 
 

Outro pilar da iniciativa do Einstein é combater o racismo e o preconceito contra os profissionais de saúde indígena. Isso será feito com programas de letramento das equipes técnicas de campo e escuta ativa para compreender e aprender a valorizar os saberes tradicionais. “Fazemos questão de sentar com os líderes indígenas, de ouvir o que eles esperam. Não é um modelo que vem pronto, é construído junto”, diz Klajner, se referindo ao programa Jornada Materno Infantil, que busca diminuir a mortalidade infantil. 

Neste primeiro momento, os esforços da equipe do Einstein se concentram nos , regiões com grande população indígena. No Pará, o projeto começa no povo Kayapó, enquanto no Mato Grosso, o trabalho será no povo Xavante. Além do atendimento, o trabalho, feito em parceria com os DISEIs locais, prevê a formação de profissionais da saúde, inclusive indígenas. Também serão realizadas visitas técnicas e coleta de indicadores nas aldeias. A conclusão está prevista para dezembro de 2026. 

 

 





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