A farmacêutica Sanofi investiu R$ 100 milhões em pesquisas clínicas no Brasil no ano passado, mais do que o dobro dos aportes de 2023, com foco nas pesquisas em imunologia. A companhia aponta que o objetivo é se tornar líder de mercado na área até 2030, com medicamentos destinados a doenças como asma, esclerose múltipla e a esofagite eosinofílica.
Além do maior volume de investimentos, outra estratégia da Sanofi para os estudos clínicos no Brasil é ampliar a participação de centros de pesquisa no Norte e no Nordeste. Profissionais da área da saúde e pesquisa de cidades como Feira de Santana (BA), Manaus e Recife estão recebendo capacitação da farmacêutica para atuar com as pesquisas.
De acordo com a companhia, a priorização das regiões Norte e Nordeste deve conferir maior representatividade da população preta e parda nos estudos. A meta da Sanofi é que, até o fim deste ano, essa população represente 25% dos voluntários dos estudos. No ano passado, a fatia estava em 23%.
A diretora de pesquisas clínicas da Sanofi Brasil, Viviane Rezende, aponta que a diversidade genética do Brasil é um dos atrativos do país para a realização dos estudos. Esse potencial, porém, é subaproveitado pela indústria farmacêutica atualmente.
O Brasil tem a população mais geneticamente diversa do mundo, mas tradicionalmente a Sanofi e outras empresas vinham fazendo muitos estudos na região Sul e Sudeste. “Em 2022, demos esse passo para expandir a presença no Norte e Nordeste, trazendo mais diversidade para os estudos clínicos e, por outro lado, dar mais oportunidade para que a população desses Estados tenha acesso à essa inovação”, afirma.
Viviane Rezende aponta que a maior diversidade genética dos estudos, com destaque para as pessoas pretas e pardas no Brasil, permite que as necessidades dessa população sejam atendidas.
A Sanofi lucrou € 3,94 bilhões no segundo trimestre deste ano, de acordo com o relatório de resultados divulgado no último dia 31. O valor representa salto de 253,9% em relação ao mesmo período de 2024. As despesas com pesquisa e desenvolvimento cresceram 17,7% no comparativo anual, para € 1,9 bilhão.
Já a receita da companhia cresceu 6%, para € 9,99 bilhões. A divisão de negócios farmacêuticos foi a que mais cresceu no comparativo anual, 39,8%, impulsionada pelo Altuviiio, medicamento para hemofilia do tipo A.