SBF 2025: a visão de Neil Redding sobre a IA como agente ativo na saúde
13/08/2025

Falta apenas uma semana para o Saúde Business Fórum 2025 e a expectativa já se volta para a palestra do keynote speaker Neil Redding, futurista e especialista em inovação. Conhecido por provocar reflexões estratégicas sobre o impacto das novas tecnologias na saúde, Redding vai apresentar sua visão sobre como a inteligência artificial (IA) deixou de ser apenas uma ferramenta para se tornar “um participante ativo nos sistemas de saúde” — capaz de transformar diagnósticos, engajar pacientes, integrar dados e redesenhar organizações em ecossistemas vivos e autorregulados. 

IA assume protagonismo 

O futuro da saúde já está sendo moldado por um novo papel da IA. Para o keynote, a tecnologia deixou de ser apenas um suporte operacional para assumir protagonismo na tomada de decisão clínica, na gestão e na experiência do paciente.  

“Muitas coisas vão mudar, mas talvez a transformação mais impactante seja liberar médicos e profissionais de saúde do tempo gasto com o conhecimento necessário para o diagnóstico”, afirma. 

Essa mudança pode devolver aos profissionais a possibilidade de exercer um cuidado mais humano, segundo Redding. “Minha esperança é que os profissionais de saúde possam investir esse tempo em estar mais presentes com os pacientes — um tipo de presença verdadeiramente cuidadosa e curativa. Os pacientes desejam muito isso, e é uma necessidade profundamente humana”, diz. 

Áreas mais avançadas e campos ainda inexplorados 

Na visão do especialista, o diagnóstico de doenças e condições, assim como a análise preditiva para tratamentos preventivos, já despontam como setores que mais rapidamente têm co-criado soluções com a IA.  

“Em termos de resistência, há um vasto campo de possíveis colaborações entre paciente, médico e IA — engajar mais ativamente os pacientes no cuidado com a própria saúde é um espaço de oportunidades enorme, que está apenas começando”, comenta. 

Esse movimento exige dos profissionais a disposição para abrir mão de parte do controle que sempre tiveram sobre o processo assistencial. “É natural que haja resistência de alguns profissionais, que precisam confiar mais nos pacientes”, explica. 

Ecossistemas vivos e autorregulados 

Redding defende que a transformação tecnológica não se limita à automação ou ao ganho de eficiência, mas implica uma mudança estrutural no funcionamento das organizações. Ele propõe a criação de “ecossistemas vivos e autorregulados”, nos quais pacientes, médicos, operadoras, laboratórios, fornecedores e até dispositivos de consumo estejam conectados e trocando dados de forma integrada. 

“Profissionais de saúde e seus protocolos precisarão evoluir para incorporar o engajamento ativo dos pacientes, incluindo a capacidade técnica para que eles coletem e compartilhem dados sobre sua condição fisiológica diária, com proteção de privacidade”, explica. 

Design centrado no ecossistema 

Outro conceito que Redding pretende explorar, na palestra no Saúde Business Forum 2025, é o “design centrado no ecossistema”. Ele explica que muitos sistemas atuais são estruturados para atender prioritariamente aos interesses do negócio da saúde — seguradoras, hospitais, médicos e empresas farmacêuticas —, e não ao paciente. 

“Todos esses participantes têm papéis importantes e precisamos garantir que também se mantenham saudáveis em seus próprios aspectos — mas um foco ainda maior na saúde do paciente é essencial para que a medicina realmente produza os resultados que queremos para as pessoas e para a sociedade. O design centrado no ecossistema olha para todos esses participantes como um todo e busca otimizar os melhores resultados para todos.” 

Integração de dados para decisões centradas no paciente 

A convergência entre hospitais, laboratórios, operadoras e serviços de consumo cria um cenário complexo para a tomada de decisão. Para Redding, a IA pode desempenhar um papel central nessa integração.  

“A IA pode facilitar enormemente a integração quase instantânea de dados vindos de todas essas fontes, bem como dos próprios pacientes por meio de dispositivos vestíveis, criando uma base para que a saúde evolua para um ecossistema vivo que reúna todos esses participantes”, opina. 

Foco no que importa 

Ainda que ganhos de eficiência sejam inevitáveis com a IA, Redding alerta que isso, sozinho, não garante melhores resultados para o paciente. “Ganhos de eficiência certamente vão aparecer em muitas áreas da saúde — mas melhores resultados para os pacientes só virão quando profissionais e o setor de saúde voltarem aos princípios básicos, perguntando: O que realmente estamos tentando alcançar, e para quem? – pontua. 

O futurista reforça que cada avanço tecnológico muda a forma de praticar medicina, mas existe o risco de o setor se perder nos detalhes de processos, procedimentos e sistemas, esquecendo o propósito final: “A IA, especialmente os agentes, oferece uma oportunidade profunda de transformar a saúde desde a base — e essa transformação, guiada por um foco claro nos desfechos para os pacientes, é o único caminho possível”, ressalta. 

Barreiras culturais: o desafio invisível 

Apesar da tecnologia estar pronta para muitas dessas transformações, o especialista aponta que as barreiras mais desafiadoras são culturais. “Há uma preocupação legítima entre profissionais de saúde sobre perder o controle, permitindo que a tecnologia faça diagnósticos ativos e, eventualmente, recomende e até realize tratamentos de forma autônoma”, esclarece. 

Para Redding, essa descentralização é inevitável e benéfica no longo prazo. “Com a participação ativa da IA e da robótica, é o que vai permitir um sistema de saúde muito mais funcional, engajado de forma holística e de alta performance”, afirma. 

Liderança para o futuro 

Como “Near Futurist”, Redding afirma que seu papel é ajudar líderes a perceber — e tornar real — as possibilidades emergentes que a tecnologia viabiliza. Para isso, defende que gestores adotem mentalidades orientadas à adaptabilidade, curiosidade e abertura. 

“Minha palestra vai focar nos modelos mentais mais úteis para desenvolver essa relação com a IA, e estou animado para compartilhar e explorar esses conceitos com os líderes de saúde no Saúde Business Forum 2025”, conclui. 

O Saúde Business Fórum ocorre de 19 a 22 de agosto. Se deseja definir rumos, transformar práticas ou acelerar inovações na saúde, este encontro é para você. Veja como participar! 

 





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