O universo da saúde digital vem evoluindo em ritmo acelerado, mas quando o foco é o corpo feminino, ainda há uma lacuna significativa a ser preenchida.
As femtechs — healthtechs de saúde feminina — surgem para responder a esse desafio, com soluções voltadas à fertilidade, saúde íntima, menopausa, gestação, bem-estar emocional e mais.
Apesar do potencial, o setor ainda é subfinanciado. Segundo o McKinsey Health Institute, as femtechs recebem apenas 3% de todo o investimento destinado à saúde digital, com estimativas de aporte entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão.
Ainda assim, o mercado avança. Com foco em inovações em saúde da mulher, essas empresas estão transformando a jornada de cuidado com tecnologia, dados, empatia e uma nova forma de olhar para o corpo feminino: menos padronizada e mais personalizada.
Femtechs são startups ou empresas que desenvolvem tecnologias voltadas exclusivamente para o cuidado com a saúde feminina.
Isso inclui desde aplicativos para monitoramento do ciclo menstrual até plataformas de telemedicina, dispositivos conectados para fertilidade, soluções para saúde íntima e ferramentas de suporte na menopausa.
O crescimento do setor está diretamente ligado a três grandes movimentos na área da saúde: digitalização, descentralização e personalização.
Ao colocar a mulher no centro da experiência, as femtechs ajudam a romper com modelos de cuidado generalistas, propondo soluções acessíveis, com linguagem acolhedora, autonomia e uso inteligente de dados.
Além disso, a atuação dessas empresas reforça a importância de abordar temas historicamente negligenciados, como saúde sexual, alterações hormonais, infertilidade e autocuidado feminino, trazendo à tona conversas mais abertas e baseadas em evidências.
As femtechs no Brasil, embora ainda em fase de expansão, já demonstram impacto positivo e se conectam a um movimento global que valoriza a saúde digital feminina com protagonismo, inovação e visão de longo prazo.
As femtechs têm ampliado o escopo da saúde digital feminina, criando soluções específicas para diferentes fases e necessidades do corpo da mulher.
De startups focadas em fertilidade até aquelas que atuam na menopausa, essas empresas estão reorganizando o setor com tecnologia acessível e linguagem empática. Confira as principais frentes de atuação:
Startups desenvolvem aplicativos para monitoramento do ciclo menstrual, ovulação e períodos férteis.
Algumas femtechs que investem em fertilidade também oferecem integração com exames, mapeamento hormonal e suporte à reprodução assistida.
Plataformas digitais oferecem acompanhamento pré-natal remoto, chats com profissionais, rastreadores de desenvolvimento fetal e apoio no pós-parto — incluindo femtechs voltadas para gestação com foco em saúde emocional e amamentação.
As femtechs para menopausa oferecem suporte personalizado, com conteúdos sobre sintomas, recomendações de suplementos, estilo de vida e orientações médicas.
Algumas atuam com inteligência artificial para adaptar as sugestões à fase da mulher.
Empresas criam tecnologias para autocuidado feminino que tratam de temas como infecções urinárias recorrentes, secura vaginal, dor durante o sexo ou disfunções hormonais.
Há também femtechs que promovem saúde íntima via educação sexual e monitoramento de sinais.
Aplicativos de meditação, rastreadores de humor, diários hormonais e comunidades de suporte vêm ganhando espaço, sobretudo entre mulheres que fazem uso de anticoncepcionais ou terapias hormonais. Aqui, o foco é equilíbrio emocional e bem-estar.
A proposta das femtechs não é apenas desenvolver produtos digitais, mas redefinir a experiência da mulher com o sistema de saúde.
Elas atuam no tempo da paciente, com mais empatia, menos julgamento e maior autonomia — e fazem isso com apoio de dados, tecnologia e personalização.
Essas inovações em saúde da mulher estão:
Ao integrar chatbots, algoritmos e plataformas de consulta, essas soluções ampliam o acesso à saúde e reduzem barreiras históricas — geográficas, sociais ou emocionais.
O resultado é uma jornada mais fluida, segura e centrada na paciente.
O crescimento das femtechs não representa apenas inovação para o consumidor final, mas também uma oportunidade concreta para clínicas, operadoras e instituições de saúde ampliarem sua oferta de serviços com mais eficiência e personalização.
Confira algumas frentes estratégicas:
Clínicas e operadoras podem se aliar a startups de tecnologia para saúde feminina para ofertar soluções digitais em temas como fertilidade, menopausa, bem-estar sexual e bem-estar mental — com escalabilidade e baixo custo de implementação.
Ferramentas de rastreamento de sintomas, alertas inteligentes e conteúdos educativos podem fortalecer a prevenção e o autocuidado dentro de programas de saúde da mulher já existentes.
A análise de dados gerados pelas femtechs permite desenhar fluxos personalizados para diferentes perfis — como mulheres em idade fértil, gestantes, pacientes no climatério ou em uso de terapias hormonais.
Operadoras de saúde podem inovar em seus portfólios com planos voltados à saúde reprodutiva, ao climatério ou ao autocuidado feminino, integrando soluções já desenvolvidas por empresas femtech no Brasil.
A colaboração entre femtechs e instituições pode ser o caminho mais ágil para preencher lacunas históricas no cuidado com a saúde da mulher, promovendo inclusão, personalização e impacto em escala.
As femtechs estão redefinindo os padrões da saúde digital feminina com propostas inovadoras, linguagem acolhedora e tecnologia que respeita as particularidades do corpo feminino.
Ao abordar temas negligenciados por décadas com soluções práticas e conectadas, essas startups estão mudando o jogo para pacientes, para profissionais e para o sistema de saúde como um todo.
Para clínicas, operadoras e investidores, o momento é de observação atenta e ação estratégica. Integrar esse ecossistema pode significar não apenas gerar valor para o negócio, mas também transformar a jornada de milhões de mulheres no Brasil e no mundo.