No setor de saúde, estamos acostumados a falar sobre comunicação como processo — definir protocolos, treinar uso do SBAR, investir em sistemas de prontuário eletrônico. Tudo isso é importante. Mas pouco discutimos sobre o “invisível” que interfere no processo: o estado emocional de quem comunica e de quem recebe a mensagem.
A inteligência emocional, conceito popularizado por Daniel Goleman, é a capacidade de reconhecer, entender e gerenciar as próprias emoções e as emoções dos outros. No contexto da saúde, ela funciona como uma verdadeira vacina contra falhas de comunicação, porque atua antes que o “vírus” do estresse, da irritação ou da pressa contamine a clareza da mensagem.
Comunicar não é apenas falar ou escrever. É fazer com que a mensagem chegue ao outro como foi pensada, levando em conta o contexto, o momento e o estado emocional de ambos.
Na prática, a emoção influencia:
Por isso, podemos ter o melhor protocolo de comunicação do mundo, mas se as emoções estiverem no comando de forma descontrolada, a informação vai se perder no caminho.
O setor de saúde reúne todos os ingredientes para um ambiente emocionalmente desafiador:
Esse contexto gera vulnerabilidade emocional. Profissionais podem entrar em um modo automático de defesa, onde a prioridade é “resolver rápido” e não “comunicar bem”. Só que na saúde, comunicar mal pode custar mais caro do que investir alguns segundos a mais para alinhar corretamente.
A inteligência emocional não elimina a pressão ou o risco, mas reduz a probabilidade de que esses fatores se transformem em falhas de comunicação. Confira algumas das estratégias que podem auxiliar no seu dia a dia na saúde.
Mesmo em equipes bem treinadas, com protocolos claros e tecnologia de apoio, as falhas de comunicação continuam acontecendo. Muitas delas não têm relação com falta de conhecimento técnico ou de recursos, mas com a forma como as pessoas se relacionam e se expressam em momentos de pressão. É nesse ponto que a inteligência emocional faz a diferença — prevenindo mal-entendidos, reduzindo ruídos e criando um clima em que falar e ouvir se tornam mais efetivos. A seguir, alguns exemplos de falhas que poderiam ser evitadas se a gestão das emoções estivesse no centro da comunicação.
As falhas de comunicação estão entre as principais causas de eventos adversos na saúde. Muitas vezes, essas falhas não vêm de desconhecimento técnico, mas de barreiras emocionais que impedem a mensagem de ser transmitida e recebida com clareza.
Ao investir em inteligência emocional, aumentamos:
A inteligência emocional para quem trabalha na saúde é uma competência essencial que deve estar na mesma prateleira de prioridade que habilidades técnicas e conhecimento científico.
Ela é a vacina que previne falhas de comunicação — e como toda vacina, atua antes do problema, reduzindo a probabilidade e o impacto de erros. Cada profissional que aprende a gerenciar suas emoções e a se comunicar com empatia e clareza se torna uma barreira viva contra riscos.