O estado do Rio de Janeiro passa a contar com um novo centro autorizado a realizar transplantes de pulmão: o Hospital São Lucas Copacabana, da Rede Américas.
Até então, apenas duas instituições no estado estavam habilitadas para esse procedimento, considerado um dos mais complexos da medicina. A nova habilitação fortalece a rede de atendimento e aumenta as chances para pacientes que aguardam por um órgão.
“A entrada do São Lucas Copacabana nesse cenário representa um avanço importante para a saúde no Rio e um reforço necessário à rede nacional de transplantes pulmonares. Somos um dos poucos no país com estrutura e equipe multidisciplinar aptas para esse tipo de cirurgia, que exige protocolos rigorosos e integração entre diversas especialidades. A taxa de sucesso chega a 80% a 90%, e estamos orgulhosos de ampliar essa oferta para a população”, afirma Carlos Henrique Bosqueviche, cirurgião da instituição e responsável técnico pelo programa.
O feito reforça a estratégia da Rede Américas de expandir a oferta de terapias de alta complexidade no Brasil, onde a demanda por transplantes pulmonares supera amplamente a capacidade instalada.
Em 2023, foram realizados apenas 78 transplantes de pulmão no país, uma redução de 25% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). A média anual gira em torno de 80 cirurgias, número insuficiente para atender à fila de espera. Estima-se que menos de 5% dos pacientes que necessitam do órgão sejam contemplados.
O Sistema Único de Saúde (SUS) responde por cerca de 88% dos transplantes realizados no Brasil. Atualmente, apenas três estados concentram essa modalidade: São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. A limitação se deve à alta complexidade técnica, necessidade de equipes altamente especializadas e escassez de órgãos viáveis.
Embora o país tenha registrado mais de 2.400 doadores efetivos em 2023, menos de 100 pulmões foram transplantados. Entre os fatores que explicam essa disparidade estão a recusa familiar — em torno de 45% — e as dificuldades para preservar a viabilidade do órgão, cujo tempo máximo de preservação é de seis horas.
O primeiro transplante realizado no São Lucas já transformou a vida de um homem de 62 anos. Com uma equipe formada por 10 especialidades médicas, o procedimento reuniu cirurgiões, intensivistas, pneumologistas, cardiologistas, infectologistas, fisioterapeutas e enfermeiros, além do suporte integral da UTI e do Centro Cirúrgico. Essa força-tarefa ilustra o nível de coordenação necessário para garantir a segurança e o sucesso desse tipo de transplante.