A Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa, a AFIP, anunciou que vai interromper a realização de exames em hospitais municipais das regiões Leste e Oeste da cidade de São Paulo.
A medida afeta cinco hospitais: Waldomiro de Paula, Tide Setúbal, Ermelino Matarazzo, Mário Degni e Menino Jesus, além de outras 111 Unidades Básicas de Saúde das mesmas regiões. Isso corresponde a um terço de toda rede municipal.
Segundo a Associação, a interrupção é feita por causa de uma dívida de R$ 120 milhões da Prefeitura de São Paulo e incluem débitos antigos e um atraso de oito meses apenas entre 2024 e 2025.
A AFIP alegou que, até o momento, não houve qualquer contato da gestão municipal, seja para negociar o pagamento dos valores devidos ou para realizar de forma estruturada a transição a outros prestadores, o que agrava o risco de descontinuidade assistencial.
Hoje, as estruturas da AFIP atendem 200 mil pacientes e realizam aproximadamente 2 milhões de exames mensais.
Na semana passada, a Prefeitura de São Paulo informou ter realizado pagamentos no total de R$ 220 milhões à AFIP ao longo de 2025, mas esses valores, no entanto, não se referem aos serviços de exames laboratoriais que serão desmobilizados.
Na última sexta-feira, o Ministério Público instaurou um procedimento para apurar a suspensão do serviço.
O MP pediu esclarecimentos ao Poder Executivo municipal sobre a estratégia da Secretaria Municipal de Saúde para assegurar que os munícipes possam continuar utilizando o SUS sem prejuízo e tenham acesso a diagnóstico adequado.
A Secretaria Municipal da Saúde afirmou em nota que nenhum atendimento será interrompido na cidade e que a Pasta elaborou um plano de contingência para as unidades envolvidas que absorverá integralmente a demanda.
Segundo a Prefeitura, há ainda valores adicionais em fase final de conferência e liquidação estimados em R$ 102 milhões, seguindo integralmente os ritos previstos na legislação vigente e previamente comunicados à associação.
Em entrevista ao CBN SP, o secretário municipal de Saúde,Luiz Carlos Zamarco, afirmou que a população não terá exames interrompidos.
'A Secretaria já tinha interrompido os exames com a AFIP nas 104 Unidades Básicas de Saúde que ela fazia na Zona Leste. Deixamos o hospital com eles, mas aí eles não se interessaram em ficar com os hospitais e falaram que iam sair também. Nós já pegamos a nossa estrutura que já estava preparada para essa transição e colocamos nos hospitais e a população está sendo atendida normalmente'.