Após lucro recorde em 2025, quais os desafios do setor de saúde para 2026
06/01/2026
O setor de saúde fechou 2025 com indicadores positivos tanto do lado das operadoras de planos de saúde quanto dos estabelecimentos como hospitais e laboratórios de medicina diagnóstica. Há exceções como o Rio de Janeiro que continua sendo fortemente impactado pelos problemas da Unimed. Já em 2026, ano de eleição, o cenário pode ser mais complexo às operadoras com a nova gestão da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que, nos primeiros quatro meses, se mostrou mais pró consumidor. 

No acumulado dos nove primeiros meses de 2025, o lucro operacional das operadoras de saúde somou R$ 8,6 bilhões, o que representa salto de 160% sobre o mesmo período de 2024. Esse desempenho é consequência de uma variação de 10% na linha da receita que atingiu R$ 284,5 bilhões contra incremento de 5% nas despesas médicas que ficaram em R$ 202,9 bilhões. As operadoras impuseram reajustes elevados entre 2023 e 2024. Em 2025, a majoração foi inferior ao dos dois anos anteriores, mas houve também um controle de custos médicos por meio de planos de saúde com mais coparticipação, menos reembolso e rede credenciada restrita. 

Há uma expectativa que o reajuste se mantenha controlado também em 2026. Os analistas começaram a divulgar as primeiras projeções para o aumento do plano individual. O Citi espera um aumento de 8,6%, enquanto o BTG estima 7,5%. Em 2025, a variação máxima foi de 6,06%. 

Segundo os analistas, o reajuste do individual terá forte impacto da Hapvida, que tem uma carteira relevante no plano individual e teve uma taxa de sinistralidade superior ao do mercado. 

A Hapvida protagonizou o noticiário no setor de saúde no ano passado. As ações da companhia despencaram quase 50% no pregão do dia 13 de novembro com a divulgação dos resultados do terceiro trimestre que vieram muito abaixo do esperado pelo mercado. Mesmo com a família fundadora e a companhia recomprando papéis, não houve ainda uma recuperação. Houve uma quebra de confiança com o mercado. Há algumas semanas, a operadora anunciou uma troca na liderança. Jorge Pinheiro, CEO, vai passar sua cadeira para o vice-presidente financeiro, Lucas Adib, que deve assumir no fim de 2026. Jorge Pinheiro será presidente do conselho. A ideia é começar 2027 com a nova estrutura de comando. 

Do lado dos hospitais e redes de medicina diagnóstica, o cenário também foi positivo. Houve uma redução na pressão das operadoras, que em 2022 enfrentarem uma forte crise. Agora, as duas pontas voltaram a conversar sobre temas estruturais para o setor de saúde. 

No segmento de prestação de serviços de saúde, a notícia de 2025 foram as conversas entre Rede D’Or e Fleury que não avançaram devido à preço, segundo fontes. 

Bradesco Seguros e D’Or, por sua vez, fecharam negócios relevantes na área hospitalar. A empresa da família Moll vendeu cerca de 50% dos hospitais de Campinas, Glória D’Or e Maternidade Star para a seguradora que pagou quase R$ 1 bilhão pelos três ativos. Esses estabelecimentos passaram a compor o portfólio da Atlântica D’Or, que é a empresa hospitalar da Rede D’Or com Bradesco Seguros. Essa combinação de negócios foi o caminho encontrado para que os hospitais passassem a ser credenciados pela Bradesco. 

 

No ano passado, a praça do país que enfrentou as maiores dificuldades no setor de saúde foi o Rio de Janeiro. A expectativa é que em 2026 o cenário não seja tão melhor diante do tamanho da dívida da Unimed, cerca de R$ 2 bilhões, com a rede hospitalar do Rio. Não há até o momento nenhum plano de pagamento anunciado pela cooperativa médica. A Unimed do Brasil assumiu a gestão médica, mas o passivo continua com a Unimed Ferj que, por sua vez, ficará com apenas 7% da receita para pagar as despesas administrativas e dívida. 

Os primeiros quatro meses da nova gestão de Wadih Damous à frente da ANS foram marcados por ações envolvendo a Unimed Ferj, priorizando os usuários. Anteriormente, Wadih liderava a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e foi indicado para agência reguladora pelo presidente Lula, do qual é bem próximo. Antes de assumir, havia dúvidas no setor, se ele seria mais voltado às operadoras ou consumidor. 

 





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