Com a proximidade das festas de fim de ano, hospitais e gestores de tecnologia começam não apenas a encerrar um ciclo, mas também a projetar quais serão os próximos passos para seguir ofertando o melhor atendimento ao paciente e se preparando, inclusive, para a inclusão cada vez mais assertiva da tecnologia nesse ambiente. Parte fundamental do ambiente hospitalar, o setor de infraestrutura de TI, será um dos mais impactados por essas mudanças nos próximos cinco anos.
Entre as principais transformações esperadas estão o avanço da presença da Inteligência Artificial (IA), o crescimento do ecossistema de dispositivos conectados, além de uma maior presença de ações voltadas à sustentabilidade e segurança. A adoção de IA deixará de ser pontual para integrar toda a operação, atuando desde a análise de dados clínicos e predição de riscos até a automação de tarefas administrativas. Modelos multimodais passarão a exigir maior capacidade de processamento e padrões rígidos de governança, levando as instituições a operarem em arquiteturas híbridas, capazes de equilibrar processamento local e escalabilidade em nuvem.
Iniciativas como essas descentralizam a TI e “obrigam” hospitais a adotarem processamento distribuídos, mais seguros e resilientes. A interoperabilidade também tende a ganhar força, impulsionada pela adoção de padrões como o Fast Healthcare Interoperability Resources (FHIR). Ao optar pelo padrão FHIR, por exemplo, a instituição de saúde permitirá que dados “circulem” de forma mais confiável entre sistemas, prontuários eletrônicos, laboratórios e plataformas de telemedicina. Mas, para que essa evolução ocorra com segurança e de forma sustentável, serão necessários investimentos em qualidade, rastreabilidade e integração de dados.
Além disso, outro fator importante será a sustentabilidade. Com o aumento do uso de IA e a consequente demanda energética, os data centers precisarão operar de forma mais eficiente, passando a utilizar energia renovável e práticas que reduzam o impacto ambiental. Por isso, espera-se que os hospitais comecem a exigir que seus parceiros de TI apresentem indicadores claros de eficiência, tornando o desempenho ambiental um critério competitivo.
Somado a isso, a segurança e a soberania dos dados se tornarão prioridades estratégicas diante do aumento das ameaças cibernéticas e de novas regulações nacionais e internacionais. Isso fará crescer a demanda por arquiteturas baseadas em “Zero Trust”, criptografia reforçada e ambientes híbridos capazes de manter dados sensíveis sob jurisdições específicas.
Ainda, a escassez de profissionais especializados continuará pressionando o setor, fazendo com que hospitais fortaleçam parcerias com provedores de serviços gerenciados para que esses assumam operações críticas, façam o monitoramento contínuo e respondam à incidentes. A combinação entre mão de obra qualificada, automação inteligente e serviços terceirizados será fundamental para manter a disponibilidade e a segurança das operações.
Considerando todas essas tendências, é possível concluir que o futuro da infraestrutura de TI será construído pela integração entre tecnologia avançada, governança sólida e sustentabilidade operacional. E, quanto mais cedo as instituições de saúde realizarem essas mudanças e adaptações, mais preparadas estarão para oferecer cuidado de qualidade, reduzir riscos e operar com eficiência em um cenário cada vez mais digital, exigente e conectado.
*Saulo Lima é Diretor da Flowti.