Resultados recordes das operadoras e pressão persistente sobre hospitais
16/01/2026

Nesta quarta-feira (15), a Anahp realizou mais uma edição do Anahp Ao Vivo, em parceria com os Arquitetos da Saúde, para apresentar e debater os dados do 8º Balanço do Observatório Anahp.

O encontro reuniu Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp, com Luiz Feitosa e Adriano Londres, da Arquitetos da Saúde, em uma leitura econômico-financeira do terceiro trimestre de 2025, com base em dados da ANS e nos indicadores coletados junto aos hospitais associados.

O diagnóstico geral aponta para um setor que encerra 2025 com números sólidos do lado das operadoras — sinistralidade em patamar historicamente baixo, crescimento contínuo de beneficiários e resultados financeiros recordes — enquanto os hospitais seguem enfrentando dificuldades no fluxo de caixa, atrasos de pagamento, glosas elevadas e maior exposição à judicialização.

“Não existe sistema de saúde suplementar sem hospitais, sem operadoras, sem empresas e sem pacientes. Ou funciona para todos, ou, em algum momento, deixa de funcionar para todos” — Antônio Britto

Confira, a seguir, os principais pontos do debate:

Sinistralidade em “voo de cruzeiro”

  • A sinistralidade acumulada chegou a 81,9%, patamar próximo ao período pré-pandemia
  • Trata-se de um dos níveis mais baixos da série histórica fora do contexto excepcional de 2020
  • A queda reflete, sobretudo, o crescimento da base de beneficiários, com receitas à vista e despesas a prazo

 

“Não vejo espaço para a sinistralidade continuar caindo. Estamos num voo de cruzeiro — e ele já é muito favorável às operadoras” — Luiz Feitosa

Resultados recordes das operadoras

  • O resultado líquido das operadoras atingiu 6,73% da receita até o 3º trimestre de 2025
  • Em termos nominais, o setor deve superar o recorde histórico registrado durante a pandemia
  • Parte relevante do desempenho decorre de ganhos financeiros, impulsionados pelo cenário de juros elevados

 

“Em 2025, o resultado operacional voltou a aparecer de forma consistente, algo que não víamos há anos. Mas o ganho financeiro teve peso decisivo” — Luiz Feitosa

Crescimento de beneficiários: continuidade com limites

  • O setor acumula quase 1 milhão de novos beneficiários em 2025, revertendo a desaceleração observada no início do ano
  • A expectativa para 2026 é de desaceleração, mas não de retração
  • O crescimento segue fortemente atrelado à dinâmica do emprego e da renda

 

“Antes de parar de crescer, o setor passa por um crescimento menor. A redução pura e simples não aparece no horizonte imediato” — Adriano Londres

Glosas e prazos: tensão estrutural no caixa hospitalar

  • Glosa inicial: cerca de 18%
  • Glosa final aceita: em torno de 2%
  • Prazo médio de recebimento: 78,5 dias, em trajetória de alta
  • Prazo médio de pagamento a fornecedores: cerca de 46 dias

 

“Começar com quase 20% de glosa e terminar com 2% não é eficiência. Isso gera custo invisível e retenção de caixa para os hospitais” — Adriano Londres

Operação hospitalar: eficiência avança, margem encolhe

  • Taxa de ocupação: 79,9%, a mais alta da série histórica
  • Média de permanência: queda consistente, chegando a 3,66 dias
  • Margem EBITDA hospitalar: recua para 12,3%
  • Custo de pessoal: cerca de 36% das despesas, sem considerar profissionais PJ

 

“Os hospitais estão fazendo a lição de casa na eficiência, mas isso não está se refletindo em ganho de margem” — Luiz Feitosa

 

 

Mudança no modelo de pagamento: avanço relevante, mas ainda insuficiente

  • Pagamento por pacote: de 3,8% em 2019 para 12,8% em 2025
  • Crescimento mais forte entre seguradoras e medicinas de grupo
  • Aumento do rateio de custos próprios, sinal claro de maior verticalização

“A mudança está acontecendo, mas ainda não redistribui risco nem previsibilidade de forma equilibrada” — Adriano Londres

Envelhecimento da base e esgotamento do downgrade

  • A idade média dos beneficiários passou de 34 para 37 anos em uma década
  • A faixa de 59 anos ou mais cresceu de 13% para 16% do total
  • O ciclo de downgrade — redução de cobertura, coparticipação maior e exclusão de dependentes — dá sinais de esgotamento

 

“O downgrade não é infinito. Em muitos casos, ele já foi feito até onde era possível” — Luiz Feitosa

Provisões técnicas em alta e impacto nos prestadores

  • As provisões técnicas seguem em trajetória de crescimento, com destaque para a PEONA, especialmente nas seguradoras
  • O aumento dessas reservas pressiona o fluxo de caixa do setor e afeta a velocidade de pagamento aos prestadores
  • Há indícios de relação entre dificuldades no envio de contas, atrasos e o crescimento das provisões

 

“Esse tema nos persegue há meses. A PEONA cresce e o prestador sente isso no dia a dia, nos prazos e na previsibilidade” — Luiz Feitosa

Judicialização em ascensão

  • A judicialização ganhou relevância e já entra no radar das operadoras e dos contratantes
  • Em grandes empresas, pode representar até 10% do sinistro, concentrada em algumas regiões do país
  • O impacto não se limita às operadoras e começa a afetar diretamente o custo para as empresas contratantes

 

“A judicialização não é apenas um problema das operadoras. Ela compromete o equilíbrio de toda a cadeia” — Adriano Londres

O que dizem os especialistas

A saúde suplementar encerra 2025 em posição mais robusta do que nos anos anteriores, especialmente do ponto de vista das operadoras. Ainda assim, os especialistas alertam que o avanço não se traduz, na mesma intensidade, em alívio para os hospitais e em melhoria perceptível para os beneficiários.

A mensagem final foi de cautela e responsabilidade compartilhada: a sustentabilidade do sistema depende de equilíbrio entre todos os elos. Resultados concentrados em apenas um lado da cadeia tendem a gerar tensões que, mais cedo ou mais tarde, comprometem o funcionamento do todo.

Fonte: Anahp




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