Nesta quarta-feira (15), a Anahp realizou mais uma edição do Anahp Ao Vivo, em parceria com os Arquitetos da Saúde, para apresentar e debater os dados do 8º Balanço do Observatório Anahp.
O encontro reuniu Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp, com Luiz Feitosa e Adriano Londres, da Arquitetos da Saúde, em uma leitura econômico-financeira do terceiro trimestre de 2025, com base em dados da ANS e nos indicadores coletados junto aos hospitais associados.
O diagnóstico geral aponta para um setor que encerra 2025 com números sólidos do lado das operadoras — sinistralidade em patamar historicamente baixo, crescimento contínuo de beneficiários e resultados financeiros recordes — enquanto os hospitais seguem enfrentando dificuldades no fluxo de caixa, atrasos de pagamento, glosas elevadas e maior exposição à judicialização.
“Não existe sistema de saúde suplementar sem hospitais, sem operadoras, sem empresas e sem pacientes. Ou funciona para todos, ou, em algum momento, deixa de funcionar para todos” — Antônio Britto
Confira, a seguir, os principais pontos do debate:
Sinistralidade em “voo de cruzeiro”
“Não vejo espaço para a sinistralidade continuar caindo. Estamos num voo de cruzeiro — e ele já é muito favorável às operadoras” — Luiz Feitosa
Resultados recordes das operadoras
“Em 2025, o resultado operacional voltou a aparecer de forma consistente, algo que não víamos há anos. Mas o ganho financeiro teve peso decisivo” — Luiz Feitosa
Crescimento de beneficiários: continuidade com limites
“Antes de parar de crescer, o setor passa por um crescimento menor. A redução pura e simples não aparece no horizonte imediato” — Adriano Londres
Glosas e prazos: tensão estrutural no caixa hospitalar
“Começar com quase 20% de glosa e terminar com 2% não é eficiência. Isso gera custo invisível e retenção de caixa para os hospitais” — Adriano Londres
Operação hospitalar: eficiência avança, margem encolhe
“Os hospitais estão fazendo a lição de casa na eficiência, mas isso não está se refletindo em ganho de margem” — Luiz Feitosa
Mudança no modelo de pagamento: avanço relevante, mas ainda insuficiente
“A mudança está acontecendo, mas ainda não redistribui risco nem previsibilidade de forma equilibrada” — Adriano Londres
Envelhecimento da base e esgotamento do downgrade
“O downgrade não é infinito. Em muitos casos, ele já foi feito até onde era possível” — Luiz Feitosa
Provisões técnicas em alta e impacto nos prestadores
“Esse tema nos persegue há meses. A PEONA cresce e o prestador sente isso no dia a dia, nos prazos e na previsibilidade” — Luiz Feitosa
Judicialização em ascensão
“A judicialização não é apenas um problema das operadoras. Ela compromete o equilíbrio de toda a cadeia” — Adriano Londres
O que dizem os especialistas
A saúde suplementar encerra 2025 em posição mais robusta do que nos anos anteriores, especialmente do ponto de vista das operadoras. Ainda assim, os especialistas alertam que o avanço não se traduz, na mesma intensidade, em alívio para os hospitais e em melhoria perceptível para os beneficiários.
A mensagem final foi de cautela e responsabilidade compartilhada: a sustentabilidade do sistema depende de equilíbrio entre todos os elos. Resultados concentrados em apenas um lado da cadeia tendem a gerar tensões que, mais cedo ou mais tarde, comprometem o funcionamento do todo.