Funcional investe R$ 12 milhões, promove reestruturação e foca no core business para liderar setor de saúde
19/01/2026

A Funcional, média empresa do ramo de programas de acesso e adesão a benefícios de saúde no Brasil, passou por uma reestruturação da sua gestão no segundo semestre de 2025, quando investiu R$ 12 milhões para reafirmar uma grande lição: não sair de sua área de atuação. “Estávamos nos desviando do que fazíamos, tomando decisões erradas por conta de M&As. Fizemos um freio de arrumação, uma reflexão estratégica de não fazer nada fora da saúde”, afirma Marília Rocca, CEO da companhia, que já soma 25 anos desde sua fundação. 

Com faturamento acima de R$ 200 milhões, a Funcional iniciou uma série de aquisições em 2017, ao adquirir empresas como bCare, Fidelize, Prospera, Strategy, Pedbot e BFlex. Recentemente, a companhia optou por suspender o spin-off da unidade Prospera para focar em sua força principal. "Decidimos nos aprofundar onde temos tradição e massa crítica: detemos hoje 70% do mercado de benefício farmácia para grandes corporações no Brasil", explica a executiva. O movimento ocorre em um cenário otimista. Segundo a IQVIA, o varejo farmacêutico brasileiro atingiu o recorde histórico de R$ 243,33 bilhões em faturamento em 2025 (acumulado até novembro), um crescimento de 10,81% em relação ao ano anterior. 

Três negócios 
A Funcional realiza cerca de 18 milhões de transações por ano, está conectada a 58 mil farmácias e 40 indústrias em todo o Brasil e serve a 7 milhões de pacientes. Com esses números, são três os principais segmentos de negócio da health tech, que têm como concorrentes grandes empresas no mercado B2B2C, como a Interplayers e a Epharma. 

O setor é liderado pelo segmento de Gerenciamento de Benefícios Farmacêuticos (PBM), no qual a Funcional atua como principal intermediária. Esse modelo viabiliza descontos diretos da indústria farmacêutica ao consumidor mediante o uso do CPF no ato da compra. Diferente dos modelos corporativos, essa modalidade dispensa a intermediação de planos de saúde ou empresas, conectando a indústria diretamente ao paciente no varejo. 

O segundo pilar é o Benefício Farmácia, focado no reembolso de medicamentos para colaboradores. Esta frente remonta à origem da Funcional e à visão de seu fundador, Fabio Hansen — hoje no Conselho Consultivo —, que antecipou a necessidade das grandes corporações em reduzir custos assistenciais e otimizar planos de saúde. Por fim, o terceiro segmento da companhia nasce da inteligência de dados: uma compilação estratégica das informações geradas por esse ecossistema, transformando o uso dos benefícios em insights valiosos para todas as partes envolvidas. 

50% de desconto no valor do medicamento 
“As pessoas veem o Benefício Farmácia, em que o colaborador usa um cartão tokenizado para pagamento no estabelecimento, como algo parecido com um voucher de alimentação e refeição. Na verdade, ele é o braço médico da companhia para fazer política de gestão de saúde populacional”, diz Rocca. Ou seja, a empresa pode corroborar, por exemplo, com 50% do valor de um dado remédio, o que acaba sendo um investimento dela na saúde do colaborador, que ganha um desconto na farmácia. 

No caso do PBM, a modalidade cresceu depois da Lei dos Genéricos nº 9.787, promulgada em 1999, em que a indústria passou a concorrer com o genérico que, não raro, custa quatro vezes menos que o medicamento de referência. Com isso, foi criado um programa de descontos para a indústria se aproximar mais do preço do genérico. “Nesse caso, o que fazemos ninguém vê, somos a ponta do iceberg. Quando o paciente se inscreve no programa de determinado medicamento, capturamos seu CPF, o desconto é dado, comunicamos a indústria de que ela tem de fazer o ressarcimento desse valor e cuidamos do reabastecimento dessa caixinha que foi vendida naquela farmácia, naquele PBM. Esse processo exige uma complexidade muito grande.” 

O valor dos dados 
No caso dos dados, a Funcional tem a seu dispor diversos números quanto ao fluxo de pacientes que, por exemplo, usam as “canetas emagrecedoras” e que posteriormente mudam sua rotina de consumo para incorporar fibras, suplementos de proteínas, entre outros. Trata-se de informações e comportamentos muito valorizados para definir estratégias de comunicação e vendas dentro da indústria de medicamentos. 

Rocca considera que os medicamentos devem ganhar cada vez mais importância diante da tendência de crescimento da pirâmide populacional. “Estamos passando pelo envelhecimento mais rápido que já aconteceu no mundo. "Aqui, em 30 anos, um terço da população vai ter mais de 60 anos”, diz a executiva, citando projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Doenças crônicas 
A Funcional tem no Benefício Farmácia 2,5 milhões de vidas, segundo a CEO, que acrescenta que só 5% da população recebe dinheiro e tem um incentivo das empresas para gastar em medicação. “E dentro desse universo, só 5% compra remédio para hipertensão, por exemplo, sendo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) fala que 54% das doenças que mais matam são doenças crônicas para as quais já se tem tratamento. Com 30% da população brasileira com hipertensão, o desafio não é só o de levar dinheiro por meio de benefícios, mas o de informar e evangelizar esse hipertenso sobre sua condição de vida. Se fizermos isso sobre essa doença e outras, os ganhos serão incríveis.” 





Obrigado por comentar!
Erro!
Contato
+55 11 5561-6553
Av. Rouxinol, 84, cj. 92
Indianópolis - São Paulo/SP