A GSK acertou a compra da Rapt Therapeutics, um laboratório de biotecnologia dos Estados Unidos cujo principal remédio combate alergias a alimentos, em um negócio que avalia a empresa em US$ 2,2 bilhões.
A transação, primeira grande do novo executivo-chefe da GSK, Luke Miels, avalia a Rapt em US$ 58 por ação, quase o dobro da cotação de fechamento na Nasdaq na segunda-feira (19). O investimento inicial no acordo é estimado em US$ 1,9 bilhão, segundo a GSK.
A compra da Rapt, que desenvolve remédios contra doenças imunológicas e inflamatórias, dá à GSK acesso ao ozureprubart, um tratamento de longa duração para proteção contra alergias a alimentos em adultos e crianças.
O ozureprubart, atualmente na fase 2 de ensaios clínicos, tem potencial para ser administrado com frequência muito menor do que o tratamento padrão atual. A GSK trabalha com a ideia de lançamento em 2031 e vê um potencial de grandes vendas para o remédio, o que a ajudaria a atingir a meta de receitas de 40 bilhões de libras esterlinas (US$ 50,85 bilhões) no mesmo ano.
A transação dá à GSK os direitos mundiais do ozureprubart, excluindo a China continental, Macau, Taiwan e Hong Kong.
A compra pela GSK faz parte dos esforços da empresa para ampliar seu “know how” em terapias de longa duração, imunologia e inflamações, segundo uma fonte a par dos planos da empresa. Trata-se de uma aquisição pontual de reforço das operações da GSK, que se somará à linha de produtos respiratórios da empresa, acrescentou a fonte.
Compra dá à GSK acesso ao ozureprubart, tratamento para proteção contra alergias a alimentos
Miels está encarregado de convencer os investidores de que a empresa conseguirá levar a cabo sua estratégia de encurtar a distância em relação aos concorrentes. Embora a GSK agora tenha um valor de mercado de 74 bilhões de libras, depois da valorização acumulada de 33% nos últimos 12 meses, seu desempenho tem ficado para trás em relação ao dos rivais nos últimos anos.
A executiva-chefe anterior Emma Walmsley, que supervisionou o desmembramento bem-sucedido da divisão de saúde do consumidor Haleon, fez a empresa voltar ao segmento de oncologia, que havia sido abandonado pelo antecessor, e começou a reabastecer a carteira de possíveis lançamentos com aquisições e acordos de licenciamento. Miels manteve a ambiciosa meta de receita de 40 bilhões de libras.
As gigantes farmacêuticas deparam-se com um enorme “precipício de fim de patentes” nos próximos anos. Vários medicamentos de altas vendas estão por perder a exclusividade, de forma que executivos correm para fortalecer suas carteiras de produtos em desenvolvimento para substituir a queda iminente nas vendas.
Entre 2028 e 2030, vários medicamentos da GSK contra o HIV com o composto dolutegravir perderão a exclusividade nos EUA e na Europa. A empresa recebeu aprovação das autoridades reguladoras em 2025 para vários medicamentos com potencial de altas vendas, como o Exdensur, um remédio contra a asma, que pode ter um pico de vendas anuais de 3 bilhões de libras.
No início de janeiro, a empresa divulgou que teve resultados positivos nos ensaios em estágio avançado do bepirovirsen, um tratamento contra a hepatite B crônica, cujo pico de vendas anuais pode chegar a US$ 2 bilhões, segundo analistas. A GSK também tem se mostrado ativa em aquisições. Em 2025, comprou o medicamento hepático efimosfermin da Boston Pharmaceuticals, em um acordo que pode chegar a US$ 2 bilhões, e assinou um acordo para desenvolver até 12 novos medicamentos com a chinesa Hengrui Pharma.