A medicina de precisão está revolucionando diversas especialidades médicas, incluindo a Ortopedia. Tecnologias como inteligência artificial, impressão 3D, cirurgia robótica e realidade aumentada já fazem parte da prática clínica, oferecendo procedimentos mais seguros, personalizados e eficazes para os pacientes.
No Einstein, testes realizados em 2.495 consultas médicas demonstraram a eficácia da IA na prática clínica. Em 98,9% desses atendimentos, os médicos aceitaram integralmente as sugestões da ferramenta, evidenciando alto nível de confiança. O próximo passo é consolidar a IA como apoio diagnóstico, atuando como um “segundo olhar” altamente treinado.
Algoritmos já conseguem analisar exames de imagem — como radiografias e tomografias — e identificar fraturas com precisão. Uma revisão sistemática publicada em 2024, baseada em 66 estudos, mostrou que a IA acerta cerca de nove em cada dez diagnósticos, com sensibilidade de 91% para detectar fraturas e especificidade de 90% para confirmar sua ausência.
Já a impressão 3D trouxe um salto na personalização dos tratamentos ortopédicos. Hoje, é possível produzir implantes e guias cirúrgicas sob medida, moldadas conforme a anatomia exata do paciente. Essa precisão orienta cortes e posicionamento de parafusos com altíssimo grau de exatidão. Em reconstruções complexas, como após a retirada de tumores ósseos ou traumas graves, implantes de titânio personalizados podem substituir partes perdidas do osso com perfeição.
Além disso, a tecnologia permite criar modelos tridimensionais para planejamento cirúrgico, possibilitando que o médico ensaie a operação antes de entrar na sala, recurso especialmente útil em casos desafiadores. Apesar dos avanços, ainda são necessários estudos clínicos mais robustos e padronizados, além de progressos em regulamentação e segurança. Mesmo assim, a tendência é de rápida expansão.
Um dos maiores avanços recentes, e que já é realidade no Einstein, é a cirurgia robótica. Desde 2008 o hospital já realizou mais de 16 mil cirurgias robóticas. Na Ortopedia, a robótica oferece precisão e personalização inéditas. Em procedimentos como artroplastias de quadril e joelho, e mais recentemente em cirurgias de coluna, os instrumentos são guiados com extrema acurácia, garantindo posicionamento preciso dos implantes, menor dano aos tecidos e recuperação mais rápida e menos dolorosa.
A inovação também alcança o pós-operatório. Dispositivos vestíveis, como sensores de movimento, podem monitorar a recuperação do paciente em casa, medindo amplitude de movimento, nível de atividade e outros parâmetros relevantes, que são enviados diretamente à equipe médica. No futuro, os próprios implantes poderão conter sensores que avaliam carga e cicatrização em tempo real, permitindo ajustes precoces no plano de fisioterapia e garantindo resultados mais completos.
No centro de todas essas inovações está uma tendência clara: a personalização do cuidado. A medicina está abandonando soluções padronizadas e abraçando tratamentos sob medida, adaptados à anatomia e às necessidades únicas de cada paciente. Com tecnologias avançadas, essa visão se torna realidade, prometendo cirurgias mais seguras, recuperações mais rápidas e uma medicina verdadeiramente centrada no paciente.
*Mario Lenza é gerente médico de Ortopedia do Einstein Hospital Israelita.