Um levantamento realizado pela healthtech Blendus, com base em dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), aponta que operadoras de planos de saúde com processos estruturados de qualificação de dados apresentam um desempenho, em média, 17% superior no Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS). No ano-base 2024, a nota média das operadoras que utilizam sistemas especializados de governança de informação foi de 0,7964, enquanto a média do restante do setor situou-se em 0,6825.
A disparidade nos indicadores impacta diretamente a elegibilidade das companhias em mercados restritos. O estudo revela que 45,45% das operadoras com dados qualificados atingiram o nível de acreditação exigido pela RN 507, patamar alcançado por apenas 22,98% das demais operadoras. Além disso, o alcance da nota máxima (1) no IDSS foi registrado em uma proporção seis vezes superior à média geral do mercado.
A nota do IDSS tornou-se um critério de seleção no mercado de saúde suplementar. No setor corporativo, grandes empresas utilizam o índice para filtrar operadoras em processos de contratação de benefícios. Em licitações públicas, a pontuação atua como fator de corte ou diferencial de elegibilidade. Dessa forma, a precisão no envio de dados à agência reguladora deixa de ser uma tarefa administrativa e passa a compor o ativo reputacional das operadoras.
As falhas na gestão das guias de Troca de Informação de Saúde Suplementar (TISS) são apontadas como a principal causa de perdas de pontuação. Entre os erros recorrentes também estão:
Transição regulatória em 2026
O cenário de exigência técnica deve se intensificar a partir deste ano. A ANS determinou a substituição definitiva do Sistema de Informações de Produtos (SIP) pelo padrão TISS como fonte primária para o cálculo do Monitoramento do Risco Assistencial.
Sob as novas regras, operadoras que apresentarem falhas persistentes ou baixa performance assistencial em decorrência de dados inconsistentes estarão sujeitas a sanções administrativas. As medidas podem incluir a suspensão da comercialização de planos de saúde e a imposição de planos de recuperação assistencial.
“O setor de saúde suplementar vive uma transição onde a transparência e a integridade da informação são determinantes para a continuidade do negócio”, avalia Flávio Exterkoetter, CEO da Blendus. “A disparidade de desempenho observada reflete um cenário em que a imprecisão técnica gera danos diretos à imagem institucional e limita a capacidade de crescimento das operadoras. A governança de dados tornou-se uma questão de sustentabilidade para o mercado.”