São Paulo deve ter mais de 20 mil novos casos de câncer de mama este ano
19/02/2026

O Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no triênio 2026-2028. De acordo com o levantamento divulgado pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer), o maior número de ocorrências se concentra no Estado de São Paulo. Somente neste ano, a projeção é de que 20.820 mulheres sejam diagnosticadas com a doença. Na capital paulista, a estimativa chega a 5.840 novos casos no mesmo período.

São Paulo é a unidade da federação mais populosa do país. Segundo a projeção mais recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o estado tem 46 milhões de habitantes, o que corresponde a 21,6% da população brasileira. Considerando somente a capital, são 11,9 milhões de residentes.

“Por ser o estado mais populoso, ter um rastreamento mais efetivo do câncer de mama, em comparação com outras unidades da federação, e contar com ações mais estruturadas de conscientização sobre a doença, é esperado que São Paulo apareça na estimativa do INCA com a maior projeção de casos”, afirma o mastologista Fábio Bagnoli, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) – Regional São Paulo.
 

Segundo Carolina Nazareth Valadares, mastologista membra da Comissão de Imaginologia Mamária da SBM – Regional São Paulo, há uma peculiaridade que merece atenção e investimentos em políticas públicas voltadas à ampliação do rastreamento e à agilização dos diagnósticos e tratamentos. “Temos percebido um aumento de casos em pacientes mais jovens relacionado a fatores de risco que ainda necessitam de avaliações mais aprofundadas”, destaca.

De acordo com Carolina Valadares, quando se diagnostica o câncer de mama em mulheres jovens, suspeita-se que a paciente é portadora de uma de mutação genética, ou seja, câncer de origem hereditária, como os genes BRCA1 e BRCA2.

As mutações genéticas BRCA1 e BRCA2 ganharam grande visibilidade nos noticiários de todo o mundo após um artigo de Angelina Jolie publicado no The New York Times. Em 2013, a atriz declarou ter realizado uma mastectomia redutora de risco com reconstrução bilateral após a detecção de mutação no gene BRCA1, que confere risco elevado para o desenvolvimento de câncer de mama.

Com base em estudos populacionais recentes, os casos da doença associados a causas hereditárias, ou seja, caracterizados por uma predisposição familiar e que podem ser transmitidos de geração para geração, representam aproximadamente 5 a 10% do total dos cânceres. A mutação no gene BRCA está associada a um risco de 60% a 80% para o desenvolvimento de câncer de mama e 20% a 40% para câncer de ovário ao longo da vida.

Para o mastologista Fábio Bagnoli, com exceção das causas associadas a mutações genéticas, ainda não há respostas científicas definitivas para os fatores que explicam o crescimento de casos de câncer de mama entre pacientes mais jovens. “No entanto, é possível considerar estilo de vida e comportamentos, como sedentarismo, etilismo, dieta baseada em alimentos ultraprocessados, nuliparidade (não gestação) e ausência de amamentação como fatores de risco”, enumera.

De forma não regionalizada, o câncer de mama é a neoplasia maligna mais incidente entre mulheres no Brasil, respondendo por cerca de 30% dos novos casos diagnosticados. “Seja no Estado de São Paulo ou em qualquer outra localidade do país, a estimativa de aumento no número de casos entre 2026 e 2028 é um alerta que não pode ser negligenciado e aponta a necessidade de ações e investimentos que intensifiquem a prevenção e o diagnóstico precoce”, afirma Fábio Bagnoli. Além disso, embora o câncer de mama esteja em declínio como causa de morte em países de alta renda, no Brasil a doença ainda apresenta taxa elevada de mortalidade: são aproximadamente 11,7 óbitos por 100 mil mulheres, dado que reforça ainda mais a necessidade de ampliar o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento.





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