Saúde mental: eixo da governança nas instituições de saúde
20/02/2026

saúde mental dos profissionais de saúde é tão relevante que não pode ser limitada a um único mês de conscientização. Seu impacto ultrapassa iniciativas pontuais de sensibilização. Por essa razão, deixei o Janeiro Branco passar para propor algo mais ambicioso: transformar 2026 em um ano inteiro de compromisso institucional com o cuidado psicossocial desses trabalhadores.

A consolidação de uma linha de cuidado em saúde mental para profissionais de saúde visa estabelecer padrões de excelência voltados à gestão de riscos psicossociais, à prevenção de transtornos mentais, ao tratamento adequado e ao monitoramento contínuo de resultados. Essa linha de cuidado pode ser estruturada em seis pilares fundamentais:

1. Governança em saúde mental

governança deve assegurar políticas institucionais claras, sustentadas por diretrizes estratégicas e programas estruturados de prevenção, diagnóstico precoce e suporte psicossocial. Inclui a incorporação de princípios de segurança psicológica, a prevenção do assédio, da discriminação e da práticas laborais prejudiciais, além de exigir a participação ativa da liderança, com canais diretos de diálogo, pesquisas de clima organizacional e acesso sigiloso a apoio psicológico emergencial.

2. Ambiente de trabalho saudável

Esse pilar envolve a avaliação contínua da infraestrutura física e organizacional com foco na redução de riscos psicossociais. Isso inclui ergonomia adequada, espaços de descanso e descompressão, programas de pausa estruturadas, controle de ruídos, incentivo a práticas de relaxamento e análise estratégica da carga horária excessiva, reconhecida como um fator crítico de adoecimento mental.

3. Gerenciamento de riscos psicossociais

Consiste no mapeamento e na classificação dos fatores que impactam o bem-estar dos profissionais, utilizando instrumentos validados cientificamente. Entre esses fatores estão a sobrecarga de trabalho, lideranças disfuncionais, ambientes altamente competitivos, exposição contínua a eventos traumáticos e modelos inadequados de reconhecimento e recompensa.

4. Promoção e prevenção da saúde mental

A promoção e prevenção da saúde mental exigem ações contínuas para fortalecer a resiliência emocional e o bem-estar, com planejamento estratégico, definição de indicadores de saúde mental, análise preditiva de absenteísmo e participação ativa dos colaboradores na construção das estratégias institucionais.

5. Gerenciamento de protocolos assistenciais

Envolve a adoção de diretrizes nacionais e internacionais, definição de fluxos decisórios, manejo de crises, planos emergenciais de segurança psicológica, transição do cuidado e reabilitação psicossocial. Protocolos bem estruturados são essenciais para respostas eficazes em situações de urgência e promovem a melhoria contínua da assistência.

Indicadores estratégicos

Falar em padrões e protocolos implica, necessariamente, falar em indicadores. Entre os indicadores prioritários destacam-se:

  • afastamento por fadiga mental;
  • satisfação com espaços de descanso;
  • número de atendimentos psicológicos realizados;
  • tempo de espera para atendimento;
  • notificações de assédio e burnout;
  • efetividade das intervenções em crises;
  • taxa de retorno ao trabalho sem recaídas;
  • redução do presenteísmo.

Cuidar da saúde mental dos profissionais de saúde não é apenas uma escolha ética, mas também uma estratégia essencial de qualidade, segurança e sustentabilidade. Se desejamos instituições mais seguras e humanas, é hora de ir além do discurso e transformar o compromisso com a saúde mental em prática permanente. Que 2026 seja, de fato, o marco desse movimento.


*Rubens Covello é sócio-fundador e CEO da Quality Global Alliance (QGA), cofundador da HSO – Health Standards Organization e co-fundador e vice-presidente do CBEXs – Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde.





Obrigado por comentar!
Erro!
Contato
+55 11 5561-6553
Av. Rouxinol, 84, cj. 92
Indianópolis - São Paulo/SP