Os consumidores brasileiros passam a contar com dados públicos sobre a qualidade e a segurança do atendimento nos hospitais privados do país. Já é possível consultar indicadores como taxa de mortalidade institucional, infecções relacionadas à internação, quedas com dano ao paciente e eventos sentinela — ocorrências graves que nunca deveriam acontecer — além de informações sobre partos, tempo de espera na emergência, reinternações, entre outros parâmetros assistenciais.
Essa ampliação do acesso à informação é resultado da divulgação, recente, dos indicadores hospitalares do Programa de Monitoramento da Qualidade Hospitalar (PM-QUALISS Hospitalar), da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), com dados referentes ao ano-base 2024. A medida representa um marco para a transparência na saúde suplementar brasileira e reforça o movimento de fortalecimento da cultura de qualidade e segurança no setor.
Para a presidente da Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP), Paola Andreoli, a proposta acompanha uma tendência já consolidada em sistemas de saúde mais maduros, como os dos Estados Unidos e do Reino Unido. “Nesses países, iniciativas como o Hospital Compare, dos Centers for Medicare & Medicaid Services (CMS), e os relatórios do NHS britânico (Serviço Nacional de Saúde) demonstraram que a divulgação pública de dados impulsiona o chamado ‘caminho da mudança'”, esclarece.
Segundo Paola, além de orientar a escolha dos pacientes, a principal pressão recai sobre a reputação institucional. “Hospitais que passam a ser publicamente ranqueados tendem a acelerar melhorias em seus processos internos e nas práticas de segurança do paciente,”, explica.
A iniciativa amplia a transparência e fortalece o protagonismo do paciente. “Com acesso a essas informações, o usuário pode escolher hospitais que apresentam melhores resultados em qualidade e segurança. Ao incorporar essa lógica no Brasil, a ANS fortalece o poder de decisão do cidadão e estimula um ciclo de melhoria contínua, onde a excelência deixa de ser apenas um diferencial institucional para se consolidar como métrica de sustentabilidade e geração de valor em saúde, monitorada por todo o setor”, destaca.
Critérios: Em um universo de mais de 380 mil estabelecimentos de saúde registrados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), 2.329 possuem algum tipo de acreditação no Brasil. Em relação ao perfil de gestão, 68,7% das instituições são privadas, 22,2% públicas e 8,3% filantrópicas, de acordo com dados da Organização Nacional de Acreditação (ONA).
Nesta edição do PM QUALISS Hospitalar, 216 hospitais se cadastraram no programa. Desses, 124 reportaram ao menos um indicador ao longo dos 12 meses e 48 realizaram o envio integral do conjunto de indicadores. Para as instituições que concluíram o envio completo, além dos resultados consolidados anuais, é possível acessar análises comparativas que permitem visualizar o desempenho de suas médias em relação a hospitais de mesma complexidade e às unidades classificadas como de excelência pelo Ministério da Saúde.
Entre os hospitais participantes estão o DF Star, em Brasília; o Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte; a Casa de Saúde e o Hospital Copa D’Or, no Rio de Janeiro; o Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa, Hospital do Coração e Hospital Santa Catarina, em São Paulo; além do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Acesse mais informações aqui.

Resultado de alguns indicadores – As infecções associadas ao uso de Cateter Venoso Central (CVC) figuram como a segunda causa mais comum de infecções adquiridas em Unidades de Terapia Intensiva no Brasil. No programa, 48 instituições reportaram esse indicador. Os hospitais de Alta Complexidade apresentaram taxa de 2,35%; os de Média Complexidade, 2,99%; e os Hospitais de Excelência, 0,86%. Quanto menor o índice, melhor o desempenho.
Já os eventos sentinela — como cirurgias em local ou paciente incorreto, retenção de objetos cirúrgicos, morte materna, quedas graves e suicídio de pacientes internados — registraram os menores percentuais. Hospitais de Alta e Média Complexidade apresentaram 0,09%, enquanto os de Excelência tiveram 0,05%.
Outro dado relevante é a profilaxia de tromboembolismo venoso, fundamental para prevenir complicações graves. Os índices foram de 73,73% em hospitais de Alta Complexidade, 70,34% nos de Média Complexidade e 72,34% nos de Excelência — quanto maior o percentual, melhor o cuidado.
Cenário Brasileiro: Dados mais recentes indicam que entre 23% e 26% da população brasileira possui acesso à saúde suplementar, segundo informações do Ministério da Saúde e da ANS.
