Fidi leva IA a exames de imagem do SUS
25/02/2026

Criada por professores da Escola Paulista de Medicina (atual Unifesp) para gerir serviços de diagnóstico por imagem em hospitais públicos, a Fidi completa 40 anos atendendo 120 unidades de saúde e respondendo por cerca de 4% dos exames de imagem realizados no Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2025, processou 4,8 milhões de exames — alta de 11% sobre o ano anterior — e registrou receita líquida de R$ 430,1 milhões, crescimento de 10%. 

Nos últimos cinco anos, o volume de exames avançou 44,9% Agora, a Fidi amplia o uso de inteligência artificial, reforçando sua presença na rede pública, enquanto expande a atuação também na rede privada. Para 2026, a projeção é ultrapassar 5 milhões de exames, crescimento estimado de 4,9% em relação ao ano passado e de 10,1% acima de 2019, atingindo um patamar inédito. 

A Fidi nasceu em 1986 como resposta a uma demanda da administração municipal de São Paulo, em um momento de dificuldades na rede pública de saúde. Na época, o poder público buscava apoio técnico para melhorar o atendimento. Inicialmente voltada a projetos e consultorias, a iniciativa evoluiu para uma operação integrada de gestão de insumos, equipamentos, médicos e laudos, base da estratégia de expansão. 

“Em muitos casos, quando a gente entra, eles dizem claramente: nosso problema é qualidade. O desafio é que o diagnóstico por imagem exige alto grau de especialização, com médicos dedicados a analisar partes específicas do corpo”, afirma Simone Vicente, CEO da Fidi. “O médico que lauda exames de crânio, de neuro, não é o mesmo que faz os laudos de abdômen ou os relacionados à estrutura musculoesquelética. Nós temos cerca de 600 médicos organizados por especialidades”, explica. 
 

Um dos serviços oferecidos é a telerradiologia, na qual imagens dos exames são transmitidas de forma remota para uma central médica, onde são analisadas por especialistas, com emissão rápida de laudos à distância. A estrutura amplia o acesso a médicos capacitados em locais onde seria inviável manter equipes completas. “Esse serviço é uma vantagem relevante para o Brasil, país com dimensão continental”, comenta Vicente. As imagens de exames como raio-x, tomografias e ressonâncias magnéticas são transmitidas por um sistema específico, desenvolvido para lidar com arquivos pesados e garantir segurança e agilidade. 

A inteligência artificial também tem sido aliada nos diagnósticos por imagem. “Por exemplo, grande parte dos exames no pronto-socorro é raio-x de tórax, sendo que a IA lê e marca achados clínicos nas imagens”, explica a CEO. Assim, um laudo de urgência e emergência que levaria duas horas para ficar pronto sai em cerca de três a cinco minutos. No raio-x de tórax, a IA realiza análises e identifica até 75 diagnósticos diferentes, incluindo Covid, apoiando médicos em decisões rápidas e precisas. 

Em muitos casos, a tecnologia aplicada em exames de raio-x – mais baratos para detecção inicial–, evita que pacientes precisem realizar procedimentos custosos, como tomografias, de forma desnecessária. A Fidi revisa e adapta ferramentas de IA estrangeiras, além de manter parcerias com startups para apoiar o desenvolvimento e validação local de novas soluções. Além da aplicação na medicina diagnóstica, a inteligência artificial é usada para melhorar processos internos e administrativos. 

Conforme Vicente, a inovação precisa ser sempre combinada com a realidade financeira da saúde. “Não se trata de colocar IA em qualquer lugar a todo custo. É preciso garantir que traga redução de erros, ganho de eficiência e impacto positivo no atendimento, respeitando o orçamento disponível, seja na rede pública ou privada”, acrescenta. 





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