A GE HealthCare, spin-off da General Electric, inicia 2026 com uma estratégia voltada para a inovação tecnológica e soluções que redefinem o cuidado ao paciente. Desde sua separação da GE, em 2023, a empresa tem investido intensivamente em pesquisa e desenvolvimento, acumulando US$ 5,1 bilhões destinados à criação de tecnologias avançadas e plataformas digitais.
De acordo com João Paulo de Souza, general manager da GE HealthCare no Brasil, nessa nova fase, a empresa, que registra uma receita anual de US$ 20,6 bilhões, baseia sua atuação em três pilares fundamentais: Precision Care (Saúde de Precisão), Growth Acceleration (Aceleração do Crescimento) e Business Optimization (Otimização de Negócios).
“Nosso propósito é ir além das máquinas e impulsionar a inovação. O que realmente nos diferencia é a combinação da nossa experiência, nossa trajetória sólida e um profundo entendimento das necessidades reais do mercado. Essa visão nos permite entregar soluções que fazem a diferença no cuidado ao paciente”, destaca Souza.
Como parte dessa estratégia de crescimento, o executivo destaca a iniciativa da companhia em investir em educação e no fortalecimento do letramento digital.
“Quando pensamos no Brasil, o principal pilar é a educação e o letramento digital, não apenas voltado para o público externo, mas também para o interno. É fundamental que os profissionais da empresa estejam capacitados para compreender e dialogar sobre tecnologias desse nível. Mais do que isso, é essencial que eles entendam como a tecnologia se conecta diretamente às necessidades de todos os envolvidos no ecossistema de saúde: o paciente, o médico, o biomédico, o físico-médico, a enfermeira e todos os demais profissionais que desempenham papéis cruciais nesse contexto”, explica o executivo.
Entre os investimentos, a economia circular, parte do plano de EGS da companhia é um dos destaques do setor. Entre 2024 e 2025 foram 25 toneladas de resíduos eletrônicos a menos no meio ambiente.
Por meio do programa de reciclagem de componentes eletroelétricos, em São Paulo, houve uma redução anual de 100 mil toneladas de emissão carbono, o que significa uma redução de custos de aproximadamente 12 milhões de dólares.
“Temos uma preocupação muito forte com o ESG e trabalhamos para que as soluções aconteçam de fato. Mas ainda existe uma resistência muito grande no mercado”, ressalta Souza.
Ele explica que a economia circular ainda enfrenta muitos preconceitos, especialmente no contexto de aquisições públicas, onde há uma resistência significativa à aceitação de peças otimizadas. Essas aquisições frequentemente exigem exclusivamente peças novas, criando um obstáculo considerável para a implementação e expansão de práticas baseadas na economia circular.
“A sustentabilidade do sistema de saúde, no entanto, depende de colaboração contínua entre hospitais, governo e indústria. É importante lembrar que dentro de nosso trabalho de economia circular não enviamos peças ‘usadas’ ou de ‘segunda linha’. Fazemos um processo rigoroso de testes e otimização para que nosso produto seja sempre o melhor para nosso cliente. Infelizmente muitas empresas falam de sustentabilidade, mas não são todas que colocam isso em prática. E nosso olhar para sustentabilidade é muito forte”, destaca.
Outra iniciativa da empresa, realizada em São Paulo, envolve um investimento de US$ 200 mil destinado ao desenvolvimento de um testador de amplificadores de tensão pela equipe de engenharia local. Reconhecido como o mais avançado e seguro do mundo, o equipamento elimina a necessidade de envio de itens para reparo em outros países, promovendo maior eficiência operacional e contribuindo significativamente para a redução da pegada de carbono.
A interoperabilidade é um dos principais desafios para a inovação e a expansão tecnológica no setor de saúde. Souza destaca que o Open Health, um sistema voltado para a colaboração e o compartilhamento de dados, é uma das prioridades da empresa para impulsionar a saúde digital no Brasil. Além de conectar e organizar informações de forma estruturada tem capacidade para diminuir o desperdício e otimizar a utilização de recursos.
“O grande obstáculo para a inovação e a implementação da interoperabilidade no país é a infraestrutura. Muitos equipamentos em uso têm entre 20 e 30 anos e carecem de tecnologia embarcada para suportar a interoperabilidade. É como tentar instalar o WhatsApp em um celular dos anos 2000”, explica Souza.
A expectativa é que, até 2030, os clientes não precisem substituir equipamentos para acompanhar a evolução tecnológica. O caminho será a produção de softwares cada vez mais inteligente, capazes aprimorar as plataformas existentes.
No processo de transformação de uma empresa tradicional de imagem para uma provedora de soluções integradas de saúde, a GE HealthCare do Brasil adota a Saúde de Precisão como um de seus pilares estratégicos. A empresa utiliza dados multimodais — incluindo imagens, patologia, genômica e sinais vitais — para oferecer diagnósticos e terapias personalizadas, alinhados às necessidades específicas de cada paciente. Essa abordagem inovadora, denominada “D3”, é centrada no paciente e direcionada a três áreas principais:
Tratando de equipamentos, Souza antecipou para o Saúde Business algumas novidades que devem ser lançadas no Brasil ainda este ano: