A gestora Geribá Investimentos acaba de fechar a compra do controle da Alliança Saúde. A firma de Paulo Figueiredo está adquirindo as ações que antes pertenciam ao empresário Nelson Tanure, mas que agora estavam nas mãos dos credores.
Os papéis compunham a garantia de uma dívida tomada pelo empresário com Prisma, Farallon, BTG e Santander para comprar a Ligga Telecom. A empresa de telecom também está sendo vendida, numa operação com a Brasil Tecpar que deve ter closing entre julho e agosto, mas que será insuficiente para quitar toda a dívida. O saldo desse débito, antes da venda da Alliança, era de R$ 1,3 bilhão.
O valor que a Geribá vai pagar pelo ativo não foi revelado. A expectativa era que a venda de Alliança quitasse boa parte do saldo, mas o Pipeline apurou que ficou longe disso, ainda com remanescente relevante de valores a receber pelos credores, que excutiram também as ações de Light.
Dona de uma rede de clínicas diagnósticas, a Alliança vale em bolsa cerca de R$ 745 milhões, considerando uma valorização recente justamente por expectativa de venda de controle. A companhia tem baixa liquidez, uma vez que o float atual é de apenas 6,6%, e o mercado especulava um prêmio sobre tela. Mas o processo foi menos competitivo do que se imaginava: ainda que tenha atraído os usuais suspeitos no setor de saúde, os estratégicos não chegaram a colocar propostas na mesa.
Isso porque a situação da Alliança hoje é de turnaround, que é o que a Geribá se dispôs a fazer. Os sócios da firma já comandaram no passado a operação da Dommo Energia, que depois de reestruturada foi vendida (ironicamente) à PetroRio, que era um negócio importante de Tanure, mas sua posição também está com os bancos em derivativos (o filho segue acionista e chairman).
O modelo de negócio da Geribá é compor com os credores, para evitar haircuts e litígios, comprando equity estressado e colocando a mão na massa. A gestora tem uma equipe de 80 pessoas, composta majoritariamente por engenheiros como sócios-executivos.
Em 2017, a gestora comprou a Polo Filmes das mãos da Unigel, uma empresa que tinha R$ 600 milhões em dívidas e R$ 35 milhões de Ebitda. A Geribá levou a geração de caixa para R$ 130 milhões, pagou a dívida e ganhou no equity ao vendê-lo para a Innova, indústria química de Lírio Parisotto, por R$ 610 milhões.
Outra transação da companhia envolveu uma usina de açúcar e álcool da Dow no interior de Minas, que teimava em prejuízo e tinha dívida com o Santander. A Geribá fez a reestruturação em dois anos e vendeu para a Jalles Machado em 2022.
Na Alliança, o plano é semelhante, apurou o Pipeline. A companhia está alavancada, tem dívidas fiscais e outras contingências, e não digeriu bem ainda as aquisições que fez ao longo do tempo. O mandato é de "right sizing", define uma fonte próxima à operação, avaliando quais são os ativos rentáveis e que tamanho de despesa administrativa cabe nisso. A diretoria não deve ter mudança de imediato.