Governança e tecnologia são apontadas como chaves para estabilizar o ciclo de receita hospitalar
04/03/2026

No dia 3 de março, a Anahp realizou mais uma edição do seu tradicional Café da Manhã, desta vez em parceria com a Osigu, plataforma digital impulsionada por IA para gestão de ponta a ponta do ciclo de receita.

Com o tema “Do atendimento ao recebimento: como destravar o ciclo do caixa hospitalar”, o encontro reuniu lideranças assistenciais, financeiras e de tecnologia para discutir como reduzir fricções ao longo da jornada da conta (do agendamento ao recebimento) e transformar produção assistencial em caixa previsível.

Em um cenário de prazos médios de recebimento elevados, novas exigências das operadoras e aumento das críticas automatizadas, o debate reforçou a mensagem de que eficiência financeira não começa no faturamento. Ela nasce no atendimento e depende de governança, processo estruturado, liderança e uso inteligente de tecnologia.

Participantes:

  • Gisele Miranda, coordenadora de Ciclo de Receita da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo
  • Hanmera Gomes, Product Delivery Specialist da Osigu
  • Nathalia Lopes, gerente de Atendimento do Hospital Sírio-Libanês

Confira, a seguir, os principais pontos debatidos:

O atendimento como ponto crítico

Para Nathalia Lopes, a jornada financeira do hospital começa muito antes do faturamento. Ela nasce no agendamento.

“Quando a gente não olha para o início do processo, o caixa vai sentir lá na frente.”

No caso do Sírio-Libanês, especialmente na porta de SADT (Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico), onde são realizados cerca de mil atendimentos por dia, qualquer falha no agendamento pode gerar:

  • ausência de autorização;
  • divergência de plano ou categoria;
  • documentação incompleta;
  • retrabalho na recepção;
  • impacto direto no faturamento.

Lopes reforçou que experiência do paciente e sustentabilidade financeira são faces do mesmo processo.

“Não adianta acolher, encantar e ser ágil se, no final, a conta não é recebida ou o paciente recebe uma cobrança indevida.”

Entre os pontos críticos destacados no início do ciclo:

  • validação correta de plano e elegibilidade;
  • verificação prévia das exigências da operadora;
  • captura adequada de CRM e pedido médico;
  • uso de tecnologia para reduzir falhas humanas.

O atendimento funciona como uma “alfândega” da conta – a última conferência antes que o erro avance para o faturamento.

A adoção de soluções como OCR para leitura de pedido médico, robôs de autorização e validações automáticas durante o atendimento foi apresentada como caminho para reduzir fricções, acelerar a jornada do paciente e proteger o fluxo de caixa.

Previsibilidade e governança no ciclo

Gisele Miranda trouxe a perspectiva do ciclo de receita sob a ótica da sustentabilidade financeira. Com prazos médios de recebimento que podem ultrapassar 70 dias (dados já divulgados pelo setor) o desafio central é receber com previsibilidade.

“Hospital saudável não é o que fatura muito. É o que gira rápido.”

Segundo Miranda, o principal risco está no capital imobilizado no saldo pré-faturamento. Quanto maior o aging das contas paradas nas etapas internas, maior o impacto sobre o capital de giro.

Entre os fatores que comprometem a previsibilidade financeira:

  • ausência de controle de aging por etapa;
  • perda de prazo no envio de faturamento;
  • erros operacionais no XML;
  • atuação reativa em glosas;
  • falta de ritos estruturados de acompanhamento.

Na BP, a implementação de governança estruturada, rituais diários de monitoramento e atuação preventiva permitiu reduzir perdas operacionais e reverter cerca de 14% de inadimplência inicial associada a falhas de entrega e parametrização.

“O faturamento não é mais uma área operacional. Ele precisa ser estratégico.”

A executiva destacou ainda que liderança é elemento central na estabilização do ciclo:

  • método com governança clara;
  • tecnologia como suporte;
  • cultura de responsabilidade por etapa;
  • atuação preventiva em vez de corretiva.

“O resultado sustentável não nasce da pressão. Ele nasce do controle do processo.”

Inteligência artificial como aliada da fluidez

Hanmera Gomes apresentou como a tecnologia pode atuar na redução de fricções ao longo da jornada da conta. A proposta da Osigu automatizar validações documentais e conferências ao longo da jornada da conta, permitindo que as equipes atuem de forma mais estratégica.

Entre os resultados apresentados em projetos implementados:

  • 100% dos documentos analisados por IA;
  • 35% de divergências corrigidas antes do envio ao backoffice;
  • 90% de redução de devoluções entre etapas internas;
  • até 50% de redução de retrabalho no pré-faturamento;
  • alto nível de automatização na validação e envio do faturamento.

A solução atua desde a validação documental no atendimento até a conferência em nível de guia e item antes da transmissão do XML.

Outro ponto crítico destacado foi o prazo para envio e formalização da documentação junto às operadoras. As janelas podem ser curtas e exigem disciplina operacional. Ao automatizar validações e estruturar checklists sistêmicos, é possível reduzir dias no ciclo e acelerar a liquidez do hospital.

“Se eu não entreguei corretamente, a operadora não vai pagar.”

Integração como novo padrão

O debate concluiu que o ciclo do caixa hospitalar é sistêmico. Erros no agendamento impactam o atendimento. Falhas no atendimento impactam o faturamento. Faturamento mal estruturado compromete o recebimento.

Quando não há dono do dado, o erro circula até parar no caixa.

Entre os pilares reforçados:

  • integração entre atendimento, ciclo de receita e tecnologia;
  • governança clara por etapa;
  • monitoramento contínuo de aging e prazos;
  • uso de IA para prevenção de falhas;
  • liderança como eixo estruturante do processo.

Conclusão

O Café da Manhã Anahp & Osigu reforçou que destravar o ciclo do caixa hospitalar exige mais do que acelerar o faturamento. Exige método.

Do atendimento ao recebimento, cada etapa precisa funcionar de forma integrada e disciplinada. Quando a jornada da conta é estruturada com governança, acompanhamento e apoio tecnológico, o resultado é previsibilidade.

E previsibilidade é sustentabilidade.

Fonte: Anahp




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