Após uma longa reestruturação interna desde que o empresário José Seripieri Filho comprou a Amil do UnitedHealth Group no fim de 2023 – transação aprovada pela ANS e pelo Cade em janeiro de 2024 –, a operadora quer crescer apostando nos clientes corporativos de alto padrão e relançando seu produto premium, agora rebatizado como Black I e II.
“Depois que o Júnior assumiu, foram dois anos completos de trabalho intenso. Primeiro, procuramos acertar a empresa internamente, e 2026 começa oficialmente com o lançamento desse produto”, afirma o CEO da Amil, Renato Manso, em entrevista ao Pipeline.
Os principais benefícios da linha reformulada são acesso a hospitais de ponta como Einstein e Sírio-Libanês, uma equipe de concierge para agilizar atendimentos inclusive internacionais e cobertura médica de US$ 300 mil no exterior e remoção aérea de até US$ 150 mil – as maiores do mercado brasileiro, segundo a companhia, além de seguro viagem com cobertura de US$ 100 mil para atendimento médico decorrente de práticas esportivas amadoras.
Mirando também funcionários expatriados no Brasil, a Amil quer competir de frente com operadoras especializadas em atender multinacionais como Care Plus e Omint, além dos segmentos premium de Bradesco, SulAmérica e Porto. Em número total de beneficiários, a Amil fica na quarta colocação, atrás de Hapvida, NotreDame e Bradesco.
Criado em 2015 originalmente sob a alcunha de Amil One, o esforço de vendas para o alto padrão tem como meta agora chegar a 180 mil beneficiários neste ano, dos 120 mil atuais, focando de empresas pequenas às de grande porte que tenham funcionários nesse perfil. “Um acréscimo de 60 mil vidas no Black ajuda muito na receita, porque o tíquete médio é maior”, calcula o vice-presidente de relações institucionais, Renato Casarotti.
Prestes a publicar seu balanço de 2025 – em fase de revisão pela ANS conforme a regra do setor –, a Amil comemora um crescimento de 17% na carteira de beneficiários no ano, para 3,4 milhões de vidas médicas e 2,7 milhões de odontológicas, após ter voltado ao lucro já em 2024, e espera ter um crescimento de receita de 15% em 2026.
“Há dois ou três anos, a empresa estava em processo de venda. Parte da virada foi a mudança de mindset, com apetite de empreender mais forte”, define Casarotti. Os ajustes para recompor margens e reorganizar a operação passaram por revisar a grade de produtos e uma disciplina mais rigorosa de precificação, com cálculo atuarial que reduziu a relação entre custo médio e receita para patamar próximo de 78%.
A Amil também renegociou com prestadores, ajustou contratos na renovação – mesmo ao custo de perder vidas em 2024 – e reforçou a estratégia de retenção como forma de crescer sem ampliar o custo comercial. “Se a rede é muito abrangente, ela deixa de ser relevante para todos”, explica o VP.
“Do lado da carteira de clientes, é claro que você quer escala, mas, se uma grande empresa não é bem precificada, ela pode afundar seu resultado. Terminamos 2024 com menos vidas do que em 2023 por causa das renovações. Foi uma decisão consciente para, em 2025, crescer sobre um baseline mais alto”, diz Casarotti.
Outro ganho após a saída dos americanos do capital da Amil, segundo o executivo, foi de agilidade na tomada de decisões, inclusive para criar produtos. “A governança hoje é muito mais simples. Não precisamos mais reportar para fora, para uma matriz estrangeira. Retiramos essa camada, e não são profissionais baratos.”
Essa celeridade se reflete também nas eventuais aquisições, com uma equipe – e caixa disponível – para analisar oportunidades tanto de compra de operadoras (carteiras) quanto hospitais. “Não há nada fechado, mas estamos abertos a analisar e negociar. Gostaríamos de crescer em clientes, mas hoje não há nada disponível”, arremata o CEO.