BI-RADS: nova atualização amplia clareza na comunicação médica
16/03/2026

Receber o resultado de um exame de mama pode ser um momento de ansiedade para muitas mulheres. Não é incomum que o laudo de uma mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética traga termos técnicos difíceis de interpretar, como “BI-RADS 3” ou “BI-RADS 4”. Para quem não está familiarizado com essa classificação, os números podem gerar dúvidas e, muitas vezes, preocupação desnecessária.

Criado pelo American College of Radiology (ACR), o BI-RADS — sigla para Breast Imaging Reporting and Data System — é um sistema internacional desenvolvido para padronizar a descrição dos achados em exames de imagem das mamas. A ferramenta organiza os laudos radiológicos em categorias que indicam a probabilidade de malignidade e orientam a conduta clínica recomendada, facilitando a comunicação entre radiologistas, mastologistas, oncologistas e outros profissionais envolvidos no cuidado da paciente.

Com a publicação da atualização mais recente do manual, em 2025, o sistema ganhou aprimoramentos que reforçam ainda mais seu papel na padronização dos relatórios e na clareza das informações clínicas. Embora a atualização tenha como foco principal o trabalho médico, seus efeitos também podem contribuir para melhorar a compreensão das pacientes sobre seus próprios exames.

Isso porque, na prática, muitas mulheres têm acesso ao laudo antes mesmo de conversar com o médico. Ao se deparar com classificações numéricas, é comum que surjam interpretações equivocadas. Um exemplo frequente é o BI-RADS 3, que indica um achado provavelmente benigno, com risco muito baixo de câncer, mas que exige acompanhamento ao longo do tempo. Já a categoria BI-RADS 4 aponta uma alteração suspeita e pode indicar a necessidade de biópsia, embora isso não signifique necessariamente a confirmação de um tumor maligno.

Sem a devida contextualização clínica, essas classificações podem gerar insegurança. Nesse sentido, a atualização do BI-RADS também reforça a importância de relatórios mais estruturados, consistentes e objetivos, reduzindo ambiguidades na descrição dos achados e nas recomendações de conduta.

A nova edição do manual amplia orientações e exemplos práticos para a elaboração dos laudos, além de promover maior integração entre diferentes métodos de imagem utilizados na avaliação das mamas. Com isso, espera-se uma padronização ainda mais robusta na comunicação entre especialistas, o que pode contribuir para decisões clínicas mais rápidas e precisas.

Ao mesmo tempo, o avanço da digitalização na saúde tem ampliado o acesso dos pacientes às próprias informações médicas. Cada vez mais pessoas consultam resultados de exames diretamente em aplicativos ou portais de hospitais e laboratórios. Nesse contexto, a clareza na comunicação torna-se um componente fundamental do cuidado.

Embora o BI-RADS tenha sido desenvolvido como uma linguagem técnica entre profissionais de saúde, a interpretação do resultado deve sempre ser feita dentro de um contexto clínico mais amplo, considerando histórico da paciente, fatores de risco, exames anteriores e avaliação médica especializada.

Mais do que um sistema de classificação, o BI-RADS representa hoje uma ferramenta estratégica para garantir precisão diagnóstica, padronização de condutas e segurança assistencial. Ao tornar os relatórios mais claros e estruturados, a atualização do sistema também contribui para um objetivo cada vez mais relevante na medicina contemporânea: aproximar a informação técnica da compreensão do paciente.

Em um cenário em que o acesso aos exames é cada vez mais direto, transformar termos técnicos em informação compreensível deixa de ser apenas uma questão de comunicação e passa a ser parte essencial da qualidade do cuidado em saúde.


*Almir Galvão Vieira Bitencourt é coordenador do módulo de Mama da Jornada Paulista de Radiologia. Especialista em Radiologia e Diagnóstico por Imagem pela Associação Médica Brasileira e Colégio Brasileiro de Radiologia Diagnóstico por Imagem; Doutorado e Pós-Doutorado em Ciências – Área de Oncologia pelo A.C.Camargo Cancer Center e Breast Imaging Clinical Research Fellow pelo Memorial Sloan Kettering Cancer Center.





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