Oncoclínicas confirma negociação com Porto
16/03/2026
Menos de 48 horas após vir a público que a Porto estava em negociações para fazer um aporte de R$ 1 bilhão na Oncoclínicas e assumir o controle da companhia, Camille Faria, executiva chamada para liderar uma profunda reestruturação na rede de tratamento para câncer, renunciou ao cargo no domingo (15), conforme antecipou o Valor na tarde de ontem. A renúncia e a negociação com a Porto foram confirmadas pela Oncoclínicas na noite de ontem. 

A posição de Camille será ocupada, interinamente, por Marcel Cecchi, sócio da Latache, segundo maior acionista da companhia, conforme o comunicado da companhia confirmando informação antecipada pelo Valor. 

Segundo a Oncoclínicas, o acordo com a Porto prevê a criação de uma nova empresa somente com as 150 clínicas do grupo, com a seguradora detendo uma fatia de 30%. 

Um determinado montante do endividamento da Oncoclínicas, que no terceiro trimestre era de R$ 4,8 bilhões, seria transferido à nova companhia, conforme negociações a serem fechadas. 

A Porto colocaria na nova companhia R$ 500 milhões, subscrevendo determinado número de ações ordinárias que representem o controle do capital votante da nova empresa, sendo aplicável eventual “earn-out” (pagamento adicional conforme metas) em favor da Oncoclínicas e/ou “earn-in”, mediante ajuste de participação em ações ordinárias, em favor da Porto. 

A proposta prevê ainda que a nova empresa emita debêntures conversíveis em ações ordinárias, no valor total de R$ 500 milhões. O papel teria vencimento em 48 meses e remuneração equivalente a 110% da taxa do CDI, com a possibilidade da Oncoclínicas também subscrever essas debêntures. 

O documento já foi assinado por Marcel Cecchi, sócio da Latache e novo vice-presidente Executivo, Financeiro e de Relações com Investidores. 

Camille chegou na Oncoclínicas no começo de fevereiro para reorganizar a companhia, que apresentava alavancagem superior ao limite acordado com os credores de 3,5 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). 

Na sexta-feira (13), o mercado foi pego de surpresa com a informação de que a Porto estaria em conversas com a Oncoclínicas para um aumento de capital. Ficariam fora os hospitais de Belo Horizonte e Rio de Janeiro que estão à venda. Os recursos dessas vendas não vão para a Porto. 

Aporte de R$ 1 bilhão da Porto seria numa nova subsidiária formada apenas com as clínicas 

Se a transação for concluída e a Porto assumir a gestão da Oncoclínicas, boa parte do trabalho de renegociar o passivo, liderado pela executiva, deixa de existir. 

 

Camille defendia uma reestruturação por meio de negociação com os credores - que é uma das expertises da executiva que ajudou a liderar as reestruturações de Americanas e Oi. 

As conversas da executiva com os credores, inclusive, já tinham começado. Na última semana, a Oncoclínicas anunciou que estava negociando com debenturistas uma postergação de pagamento do principal e juros por três meses (“standstill”). Houve também um pedido de “waiver”, ou seja, uma espécie de perdão para que os credores não considerem o múltiplo acordado, por um período de 90 dias. Em caso de quebra de acordo dos “covenants”, os credores podem pedir antecipação de pagamento. 

Segundo fontes, a negociação com a Porto partiu de um grupo de acionistas minoritários e credores com receio de uma possível recuperação extrajudicial ou judicial. Depois, outros sócios foram chamados e concordaram com a transação. A direção executiva não teria participado dessas negociações, sendo comunicada apenas, na sexta-feira, na assinatura do Memorando de Entendimento (MOU). 

Camille veio para um cargo de vice-presidente executiva que lhe dava amplos poderes para administrar as áreas de estratégia, negócio, jurídica, compliance, operações, novos negócios, suprimentos, tecnologia da informação e recursos humanos. O novo CEO, o médico Carlos Gil, anunciado há cerca de dez dias, informou que aceitou o posto com a condição de ter uma pessoa especializada em reestruturação. Até então, Gil era diretor médico na Oncoclínicas

Os acionistas da empresa são o Centauro (18,3%), a Latache (14,62%), o BRB (8,68%), a Mak (6,31%), a Geribá (5,9%), Bruno Ferrari (4,79%) e o Goldman Sachs (2,86%). 

A Porto não tem interesse em ser dona de clínicas, mas hoje a seguradora não tem outras opções para encaminhar seus pacientes oncológicos. A opção seriam as clínicas de oncologia da Rede D’Or. que, por sua vez, é dona da SulAmérica - concorrente da Porto Saúde. 

Desde 2022, a Oncoclínicas e a Porto têm uma joint venture em que os segurados de saúde são encaminhados, preferencialmente, à Oncoclínicas. Nessa parceria, a empresa tem 60% e a Porto, 40%. Na sexta-feira, a Porto informou que não havia, até aquele momento, nenhum documento vinculante assinado. 





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