A Alliança Saúde protocolou na noite de ontem um pedido de tutela de urgência cautelar, apurou o Pipeline, buscando proteção contra vencimentos de dívidas. A companhia pede uma suspensão de débitos por 60 dias e cita no documento que quer evitar uma recuperação judicial. A Alliança contratou o escritório TWK Advogados.
A rede de clínicas diagnósticas, dona de marcas como CDB e Axial, tem R$ 1,3 bilhão em dívidas. Como a maioria dos credores são quirografárias, a companhia avalia que é possível seguir um caminho de renegociação fora da Justiça, disseram fontes próximas à Alliança.
O que acelerou o pedido e levou a companhia ao TJ-SP foi uma movimentação da Siemens, controlada do grupo alemão, que é fornecedora de equipamentos. A Siemens havia feito em outubro uma linha para a companhia, numa conta escrow, que tinha R$ 10 milhões e ia sendo usado diariamente pela Alliança para débitos operacionais.
A dívida total com a fornecedora era de R$ 50 milhões. Mas a Fitch rebaixou o rating da Alliança, a companhia tem novo controlador, e a Siemens não quis esperar para ver. Raspou a escrow apontando que tinha um pagamento próximo a receber - que era de R$ 500 mil.
A atitude "beligerante" da Siemens, segundo o documento da TWK, antecipou a reestruturação da companhia. A Alliança abriu uma mediação com a credora, para evitar também a retomada de máquinas que são garantia da dívida.
No início de março, a gestora Geribá comprou o controle da Alliança. As ações pertenciam originalmente ao empresário Nelson Tanure, mas foram executadas como garantia dos credores de Tanure - Santander, BTG, Prisma e Farallon. A Geribá estava começando a organizar as contas da companhia para sentar com os credores.