Com novas tecnologias, Grupo Fleury avança no cuidado individualizado dos pacientes
23/03/2026

O futuro da saúde está sendo moldado pelas novas tecnologias. Foi a partir dessa perspectiva que a CEO do Grupo Fleury, Jeane Tsutsui, falou sobre inteligência artificial e sua aplicabilidade na saúde, além da genômica e de como a medicina personalizada tem contribuído para o surgimento de um novo olhar sobre o cuidado individualizado do paciente, na sua palestra na Jornada Valor Econômico de Jornalismo em Saúde. O curso foi realizado na sede da Editora Globo, em São Paulo, para uma turma de jornalistas interessados na cobertura de temas complexos do segmento. 

A executiva começou a apresentação trazendo números do Grupo Fleury, que é um dos principais players no país, com 315 milhões de exames processados por ano. A companhia já soma 561 unidades de atendimento de medicina diagnóstica em 14 estados e no Distrito Federal, que responderam por 68% da receita de R$ 2,2 bilhões no primeiro trimestre deste ano. Já o segmento B2B foi responsável por 23%, provenientes do atendimento a 8 mil laboratórios em mais de 2,2 mil municípios brasileiros. Os demais 9% vieram de novos elos, como telemedicina e especialidades. 

Como parte do planejamento estratégico do Grupo, a empresa aposta no crescimento orgânico e inorgânico, por meio de fusões e aquisições. De 2017 para cá, já foram realizadas 20 aquisições e, desde que Tsutsui assumiu o comando, a companhia praticamente dobrou o faturamento, de R$ 4,2 bilhões para R$ 8,3 bilhões, em 2024. 

O valor da inteligência artificial 

De acordo com dados da consultoria internacional Precedence Research, o mercado de inteligência artificial na saúde é estimado em US$ 36,96 bilhões em 2025, com previsão de chegar a US$ 613,81 bilhões até 2034. “O uso dessa ferramenta vai transformar a relação de consumo em saúde”, frisou Tsutsui. 

Em linha com a tendência global, a tecnologia faz parte da estratégia do Grupo Fleury. A companhia já emprega 50 tipos de ferramentas baseadas em IA com resultados práticos. As aplicações vão desde a análise de dados que contribuem para melhorar a jornada do cliente até o alcance da eficiência operacional e o impulsionamento da inteligência de dados para o desenvolvimento de soluções. 

 

Exemplificando os usos, a CEO listou parcerias com startups e inovações, como os agendamentos e auxílio no pré-atendimento de pacientes; suporte na análise com pré-seleção da IA na triagem de exames de imagem que apresentam risco grave e precisam ser priorizados na fila do laudo médico; uso da plataforma Vuupt para fazer gestão de rotas no atendimento móvel; e aplicação de ferramentas de estratificação de risco (Huna) para ajudar na detecção de câncer de mama por meio de exame de sangue. 

Tsutsui ainda ressaltou algumas soluções internas da tecnologia para melhoria de processos e resultados. A parceria com a GE Healthcare potencializou exames de ressonância magnética diminuindo em até 50% o tempo do procedimento, com imagens de melhor qualidade. Com foco no Lab to Lab , foi desenvolvida internamente uma solução de IA para otimizar o giro de estoque dos laboratórios, com o objetivo de evitar sobras e desperdícios, chegando a reduzir em 40% o custo de insumos enviados a esses clientes. 

Outra frente de atuação citada por Tsutsui e voltada para a marca Vita – Ortopedia e Fisioterapia é uma solução de tecnologia alemã para análise biomecânica de corrida sem marcadores no corpo dos pacientes. “O rastreio de movimentos é feito com câmeras e sistemas de IA. Isso reduziu o tempo de preparação do exame e de análise, que levava uma semana e hoje é feita em 30 minutos”, destacou. 




 

Genômica, uma nova abordagem 

Modificando o caminho da medicina tradicional, que se baseia em sintomas, diagnósticos e tratamentos padrão, a genômica chega para trazer uma visão cada vez mais personalizada do cuidado. “Entendendo a base genética de cada situação e de cada indivíduo, é possível trazer uma abordagem preventiva e preditiva, evitando doenças graves e direcionando o paciente para o melhor tratamento individual”, avaliou Tsutsui. 

A executiva ainda observou que a evolução da inovação vem ajudando a reduzir custos e a tornar a genômica cada vez mais acessível, exemplificando com a popularização do Sequenciamento de Próxima Geração (NGS). Com novas técnicas, equipamentos e muito mais expertise, o sequenciamento genético já é realizado de forma rotineira. 

Atualmente, a genômica representa 4% da receita de medicina diagnóstica de análises clínicas do Grupo Fleury, mas há um grande potencial de crescimento. Espera-se que, globalmente, esse mercado salte dos atuais US$ 44,21 bilhões para US$ 175,18 bilhões até 2034, acelerando a uma Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR) de 16,53%, segundo a Precedence Research. 

Nessa jornada, a joint venture do Grupo Fleury com o Albert Einstein possibilitou a criação do maior laboratório de genômica da América Latina. O Genesis Genomics é um ecossistema que se relaciona com mais de 20 mil médicos e tem um portfólio com mais de 300 tipos de testes disponíveis para atender pacientes de todas as idades, em diferentes momentos. 

Ao final do bate-papo, a CEO respondeu às perguntas dos jornalistas e falou um pouco mais sobre a importância da educação digital dentro das organizações e o balanceamento dos custos para incorporação da inovação com responsabilidade. “A medicina preventiva é fundamental para o equilíbrio dos gastos se pensarmos no longo prazo, mas, no médio e no curto, é preciso avaliar como incorporar as melhores tecnologias que tragam benefícios imediatos tanto para os pacientes quanto para o setor”, afirmou Tsutsui. 





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