Pelo acordo, não vinculante, anunciado nesta segunda-feira (23), Porto e Fleury injetariam R$ 500 milhões na nova empresa de clínicas para tratamento de câncer. Além do aporte, a nova companhia emitiria debêntures conversíveis em ações ordinárias (ON) a serem subscritas por ela própria, Porto e ou pelo Fleury.
A Oncoclínicas teria o direito de também subscrever debêntures conversíveis até o limite de 30% do volume total de emissão dos papéis. Ainda não está definido se os atuais acionistas de Onco vão subscrever. A nova empresa terá 50% de ações ordinárias e 50% das preferenciais.
A Oncoclínicas continuaria como companhia listada, mas, na prática, não operacional. A empresa tem cerca de 150 clínicas no país, além de dois hospitais em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro que estão em processo de venda.
Como a Oncoclínicas não será uma empresa operacional, a efetivação do acordo com Porto e Fleury depende de uma reestruturação, a fim de evitar que a nova empresa venha a ser surpreendida com passivos futuros. A Oncoclínicas tem hoje dívidas de R$ 3,5 bilhões (já considerando o aumento de capital de R$ 1,4 bilhão fechado, em novembro). Desta quantia, até R$ 2,5 bilhões devem migrar para a nova empresa.
O acordo com Porto e Fleury só irá adiante se a Oncoclínicas negociar o restante do passivo de R$ 1 bilhão com os credores. Uma possibilidade na mesa seria os credores concederem um abatimento e migrarem para a nova empresa, segundo fontes. Desde o ano passado, as debêntures e CRIs já são negociados no mercado com desconto de até 50%.