A transformação digital vem redefinindo a forma como hospitais operam ao ampliar a presença de sistemas tecnológicos para a gestão clínica e administrativa. Prontuários eletrônicos, dispositivos conectados em UTIs e sistemas integrados de gestão hospitalar passaram a compor uma infraestrutura que precisa funcionar de forma contínua. Nesse contexto, o Network Operations Center (NOC) vem se consolidando como uma estrutura estratégica para garantir disponibilidade, desempenho e segurança da tecnologia que sustenta a assistência hospitalar.
Esse movimento segue acompanhando uma expansão mais ampla do mercado de saúde digital a nível mundial. Afinal, segundo o relatório da consultoria Delvelnsight, o setor passará por uma grande expansão até 2034, podendo alcançar uma margem de US$3,34 trilhões em investimentos. A justificativa para o elevado investimento é o aumento do volume de dados e quantidade de sistemas utilizados pelos hospitais, além da presença de uma complexa infraestrutura tecnológica para sustentar essas operações.
No Brasil, essa realidade também se reflete no avanço da digitalização hospitalar.
Segundo a TIC Saúde, responsável por analisar o estágio de inclusão da tecnologia na saúde brasileira, as instituições estão ampliando significativamente o uso de serviços digitais (armazenamento em nuvem e ferramentas de análise de dados, por exemplo), especialmente em hospitais de médio e grande porte. Ao mesmo tempo, é apontado que a maturidade digital ainda é desigual entre as instituições, evidenciando a necessidade de fortalecer a gestão e o monitoramento desses ambientes tecnológicos.
Nesse cenário, o NOC surge como uma estrutura capaz de centralizar o acompanhamento da infraestrutura digital hospitalar. A partir de ferramentas de observabilidade, há o acompanhamento de redes, servidores, aplicações e dispositivos conectados com o intuito de identificar falhas ou comportamentos “anormais” antes que a operação clínica seja impactada.
Esse suporte torna-se essencial diante da crescente dependência de sistemas digitais que passaram a desempenhar o papel central para o funcionamento hospitalar. Processos assistenciais como acesso ao prontuário eletrônico e a integração com laboratórios e plataformas de diagnóstico por imagem dependem diretamente da disponibilidade desses programas. Qualquer interrupção compromete fluxos de atendimento, atrasar exames e, ainda, dificultar o acesso a informações clínicas necessárias para decisões clínicas.
É justamente nesse cenário que o monitoramento contínuo da infraestrutura tecnológica apoia hospitais de forma preventiva diante de incidentes operacionais. Ou seja, ao invés de reagir apenas quando ocorrer a falha, a gestão baseada em observabilidade identifica gargalos de desempenho, falhas de integração ou riscos de indisponibilidade antes que eles afetem profissionais de saúde e pacientes.
Além de contribuir para a continuidade assistencial, o NOC também desempenha papel relevante na governança tecnológica através da proteção de dados sensíveis. Hospitais diariamente são “alimentados” com grandes volumes de informações clínicas e administrativas, o que aumenta a necessidade de monitoramento constante da infraestrutura que armazena e processa esses dados.
Nesse contexto, a maturidade digital na saúde dependerá da capacidade que hospitais e clínicas terão de monitorar, analisar e responder rapidamente a eventos que possam vir a comprometer a infraestrutura tecnológica. Essa necessidade faz com que a escolha pelo NOC venha a se consolidar como parte da estratégia de gestão que, constantemente, busca garantir estabilidade operacional, eficiência dos sistemas e suporte confiável às atividades assistenciais.
*Saulo Lima é Diretor da Flowti.