Summit Brazil-China: Saúde e inteligência artificial oferecem oportunidades concretas para integração tecnológica
25/03/2026

A cooperação entre Brasil e China em inovação, saúde e inteligência artificial ganhou destaque no painel “Forjando o Futuro: Saúde, IA e Setores Emergentes na Colaboração Brasil-China”, realizado durante o "Summit Valor Econômico Brazil-China 2026", nesta quarta-feira (25) em Xangai. O debate reuniu autoridades, diplomatas e executivos que destacaram oportunidades concretas de integração tecnológica entre os dois países. 

A cidade chinesa de Hangzhou foi apresentada como exemplo de ecossistema de inovação. Segundo Chen Weijing, vice-diretora da Agência Municipal de Comércio local, o município opera como uma “floresta”, em que empresas e governo interagem de forma contínua. “Estabelecemos plataformas para corredores de inovação, laboratórios e grandes projetos, incluindo universidades, e aplicamos isso por meio de regulamentos voltados a novos setores”, afirmou. Ela enfatizou ainda a agilidade regulatória: hoje, uma empresa pode ser aberta em apenas 25 minutos. 

 

 

O ambiente favorável tem impulsionado companhias locais. Zhou Yong, diretor de marketing da StarSpecies Robotics, afirmou que a empresa nasceu e cresceu nesse contexto de apoio institucional. Já Hui Jingbo, diretor de marketing da Zhizhen Technology, ressaltou o papel da infraestrutura local no avanço de modelos de linguagem voltados à saúde. “O LLM [modelo de linguagem de grande escala] precisa sair do servidor e ir para a prática. Em menos de um ano, conseguimos nos integrar a uma rede internacional de hospitais”, disse, salientando ganhos de eficiência e redução de custos. 

Do lado brasileiro, o debate apontou caminhos para aproveitar essa experiência. Felipe Daud, diretor de relações institucionais do Alibaba para América Latina, defendeu a criação de condições para atrair data centers ao país. “O Brasil tem energia limpa, fundamental para a inteligência artificial. Há urgência em não perder essa janela de oportunidades”, afirmou, ressaltando a necessidade de regras equilibradas e um sistema tributário mais simples para investidores estrangeiros. 

Na mesma linha, Igor Marchesini Ferreira, assessor especial do Ministério da Fazenda, apontou o potencial do Brasil como “fábrica verde de tokens” de IA. Segundo ele, a combinação de energia renovável e integração internacional coloca o país em posição estratégica. “Se metade dos projetos de data centers se concretizar, poderemos adicionar até US$ 150 bilhões por ano em exportação de inteligência”, disse, comparando o impacto ao boom das commodities dos anos 2000. 

A cooperação em saúde também foi abordada. Leticia Frazão Leme, ministra conselheira na Embaixada do Brasil em Pequim, explicou que o país busca fortalecer seu complexo produtivo para reduzir custos do SUS e a dependência de mercados do Norte global. “Na China, vemos um boom de inovação em medicamentos, equipamentos e hospitais inteligentes, o que abre espaço para parcerias”, afirmou. 

Shirley Han Lu, especialista da Câmara de Comércio da China para Importação e Exportação de Medicamentos e Produtos de Saúde (CCCMHPIE), reforçou o potencial conjunto em testes clínicos e medicina inovadora. “Brasil e China compartilham desafios como envelhecimento populacional e grandes territórios com áreas remotas. Isso cria um cenário de ganha-ganha”, disse, citando a Amazônia como exemplo de contexto onde soluções já desenvolvidas na China podem ser aplicadas. 

Os painelistas destacaram que, com políticas adequadas e cooperação estratégica, Brasil e China podem acelerar o desenvolvimento de tecnologias em saúde e inteligência artificial, consolidando novas cadeias globais de valor. 

O “Summit Valor Econômico Brazil-China 2026” é o terceiro evento do gênero promovido pelo jornal na China desde 2024. Esta edição tem patrocínio de BYD, Prefeitura do Rio, por meio da Invest.Rio, Embratur, Governo do Estado do Rio de Janeiro e ApexBrasil, com apoio de Prefeitura de São Paulo e São Paulo Negócios, Suzano, CBMM, Alibaba, World Resources Institute, Instituto Clima e Sociedade (iCS), CNA Senar e Confederação Nacional da Indústria (CNI). Não há despesas bancadas pelo jornal em caso de convites feitos a agentes públicos que façam parte dos debates. 





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