Com aporte, Unimed CNU tem lucro após 3 anos de prejuízos
31/03/2026

Após três anos com prejuízos operacionais que somaram R$ 1,6 bilhão, entre 2022 e 2024, e receber um aporte de quase R$ 1 bilhão para equacionar as contas, a Unimed CNU voltou ao azul e seu patrimônio líquido fechou positivo em 2025. 

A cooperativa médica, com 2 milhões de usuários, apurou lucro operacional de R$ 257,5 milhões, em 2025, contra prejuízo de R$ 551,8 milhões, em 2024. O patrimônio líquido ajustado, que era negativo em R$ 96 milhões, agora é positivo em R$ 951 milhões. 

O lucro será totalmente destinado para recomposição das reservas técnicas que ainda estão desenquadradas aos parâmetros da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Com isso, não haverá a distribuição do lucro para a recomposição das reservas, medida aprovada em assembleia na última quinta-feira (26). 

 

Os recursos da capitalização vieram das outras 300 Unimeds do país. Até o momento, os desembolsos somaram R$ 806 milhões e chegam a R$ 940 milhões em 2029, uma vez que algumas cooperativas parcelaram. O montante que cada operadora aplicou equivale a 10% de suas reservas técnicas. 

Os recursos foram destinados ao pagamento da dívida bancária e com hospitais, laboratórios e clínicas. O endividamento líquido da CNU caiu de R$ 787 milhões para R$ 74 milhões, no intervalo de um ano. A maior parte do passivo estava com os prestadores, cerca de R$ 500 milhões. 

“Melhoramos nossos indicadores com eficiência operacional nos processos. Não foi com demissão, cancelamento de contratos de planos de saúde, redução da rede ou reajustes acima da média. Nosso reajuste ficou em 12,48%, sendo que a média do setor foi de 11,85%”, disse Luiz Otávio de Andrade, que assumiu a presidência da Unimed CNU, em 2025, para liderar a reestruturação. 

Antes, Andrade era da Federação das Unimeds de Minas Gerais e da Unimed-BH que, historicamente, tem o melhor desempenho entre as cooperativas. 

O projeto de reestruturação contemplou uma revisão dos contratos com fornecedores e prestadores de serviços de saúde, precificação de carteiras que estavam, em sua visão, com valores descasados das despesas médicas, implementação de programas contra fraude e maior uso de tecnologia para atendimento dos usuários. 

“Não tem como atender 2 milhões de pessoas de forma rápida e eficiente sem tecnologia”, disse Andrade. “Conseguimos evitar fraudes de R$ 13 milhões, em 2025, com uso de tecnologia e melhores processos”, afirmou. Uma das áreas com maior volume de fraudes é o atendimento para pacientes do espectro autista (TEA), que já representa o mesmo custo do tratamento oncológico, devido ao alto volume de sessões de terapias. 

Com a casa organizada financeiramente, a CNU planeja aumentar sua carteira de planos de saúde. A cooperativa tem como clientes companhias com atuação nacional. Quando uma empresa tem apenas presencial regional, a Unimed local é quem atende. 

Na capital paulista, a Unimed CNU tem sociedade com a Oncoclínicas numa unidade ambulatorial. Cada uma tem 50% do negócio, que ainda não sofreu alterações societárias e de atendimento médico, segundo Andrade. 





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