Avanço em saúde e inteligência artificial traz oportunidades
07/04/2026

Parcerias entre Brasil e China nas áreas de saúde, inteligência artificial (IA) e infraestrutura digital começam a ganhar tração e a destravar novas oportunidades de negócios para empresas dos dois países. De hospitais inteligentes a data centers e desenvolvimento de medicamentos, a cooperação bilateral avança em um momento de reorganização das cadeias globais e de corrida por capacidade de armazenamento de dados, hoje um dos ativos mais estratégicos da economia digital. 

O tema foi foco do painel “Forjando o Futuro: Saúde, IA e Setores Emergentes na Colaboração Brasil-China”, no Summit Valor Econômico Brazil-China 2026. Executivos e autoridades destacaram que o momento é favorável para transformar complementaridades, como a oferta de energia limpa no Brasil e a escala tecnológica da China, em projetos concretos, capazes de gerar ganhos de produtividade e atrair novos fluxos de investimento. 

 

Na área de saúde, a aproximação começa a se traduzir em iniciativas estruturadas. Leticia Frazão Leme, ministra conselheira na Embaixada do Brasil em Pequim, afirmou que o fortalecimento do complexo industrial da saúde é prioridade para reduzir custos do SUS e diminuir a dependência de mercados do Norte global. “Na China, vemos um boom em medicamentos inovadores, equipamentos médicos e hospitais inteligentes, o que abre espaço para parcerias”, disse. 

Do lado chinês, o interesse é impulsionado por desafios semelhantes. Shirley Han Lu, especialista de compras internacionais da Câmara de Comércio da China para Importação e Exportação de Medicamentos e Produtos de Saúde, destacou o potencial de cooperação em testes clínicos e medicina inovadora. “Brasil e China compartilham desafios como envelhecimento populacional e grandes territórios com áreas remotas, o que cria um cenário de ganha-ganha.” 

Han Lu também ressaltou o impacto crescente da IA no desenvolvimento de medicamentos. “Tradicionalmente, o sucesso no desenvolvimento de um remédio é de cerca de 10%, ao longo de até dez anos e com custos de cerca de US$ 10 milhões. Com a IA, esse prazo pode cair para meses, com maior taxa de sucesso”, disse. 

Nesse contexto, Frazão Leme contou que o Ministério da Saúde do Brasil tem ampliado sua atuação na articulação de projetos com a China e organismos internacionais. Um dos principais exemplos é o financiamento de US$ 320 milhões aprovado pelo Novo Banco de Desenvolvimento para a construção do primeiro hospital inteligente do país e de 14 UTIs conectadas nas cinco regiões do Brasil, que criam demanda direta para fornecedores de tecnologia médica, plataformas digitais e soluções de IA. 

Cresce também o espaço para negócios em biotecnologia e pesquisa clínica. Parcerias com empresas como a Sinovac, apoiadas por instituições como Finep e BNDES, apontam para a formação de cadeias de valor compartilhadas, com potencial de reduzir custos e ampliar a produção local. Também avança a criação de um laboratório bilateral voltado ao estudo de doenças como dengue, zika e chikungunya. 
 

 

A China, por sua vez, segue sendo uma vitrine de escala e integração que atrai o interesse de investidores brasileiros. A cidade de Hangzhou, um dos principais polos tecnológicos do país, foi apresentada como exemplo de um ecossistema em que empresas, universidades e governo atuam de forma coordenada. Chen Weijing, vice-diretora da agência municipal de comércio, resumiu esse modelo: “Criamos plataformas para corredores de inovação, laboratórios e grandes projetos, e aplicamos isso por meio de regulações específicas para novos setores”. Segundo ela, a simplificação burocrática é um diferencial - uma empresa pode ser aberta em apenas 25 minutos. 

Esse ambiente tem favorecido empresas inovadoras. Zhou Yong, CMO da StarSpecies Robotics, destacou o papel do apoio institucional no crescimento da companhia. “Atuamos como um auxiliar do ser humano, não como um substituto”, disse. Já Hui Jingbo, diretor de marketing da Zhizhen Technology, enfatizou a aplicação prática da IA no setor de saúde. “O LLM precisa sair do servidor e ir para a prática. Em menos de um ano, conseguimos nos integrar a uma rede internacional de hospitais”, afirmou. 

Para empresas brasileiras, o avanço da IA abre oportunidades em áreas como armazenamento de dados, comércio digital e serviços. Felipe Daud, diretor de relações institucionais do Grupo Alibaba para a América Latina, afirmou que o país reúne condições para atrair investimentos em data centers, infraestrutura essencial para sustentar esse crescimento. “O Brasil tem energia limpa, fundamental para a inteligência artificial. Há urgência em não perder essa janela de oportunidades.” 

Segundo ele, a expansão de plataformas como AliExpress e Alibaba.com depende diretamente dessa base tecnológica. “Isso passa necessariamente por infraestrutura de nuvem robusta e pela existência de data centers”, afirmou, mencionando ainda novas frentes como a gestão de tokens de IA. 

A disputa global por capacidade computacional, aliás, é vista como uma oportunidade estratégica para o Brasil. Igor Marchesini Ferreira, assessor especial do Ministério da Fazenda do Brasil, afirmou que o país pode se posicionar como fornecedor dessa infraestrutura. “O mundo enfrenta escassez dessa capacidade. Os Estados Unidos não têm energia suficiente, a Europa não consegue expandir na velocidade necessária, e a China enfrenta restrições geopolíticas no acesso a chips”, disse





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