Em carta aos acionistas, o CEO da Hapvida, Jorge Pinheiro, reconheceu que os últimos anos corresponderam a uma das fases mais exigentes da história da operadora de assistência médica. Filho do fundador da companhia, ele deixará a liderança executiva após 27 anos no cargo, passando à presidência do conselho de administração. Luccas Adib, atual vice-presidente financeiro, ocupará o posto.
“Foram inúmeras integrações, decisões difíceis e aprendizados relevantes. Enfrentamos desafios inesperados, que exigiram ainda mais de nossa capacidade de adaptação. Essa jornada consumiu tempo e recursos, mas também fortaleceu nossa organização”, afirma Pinheiro, no documento divulgado ao mercado na noite desta segunda-feira (6).
O executivo diz enxergar alavancas claras para a companhia nas áreas comercial, operacional e administrativa e aponta que a Hapvida se diferencia de seus pares pela base de dados que possui do setor. “Queremos automatizar e padronizar as melhores práticas médicas, simplificar operações, digitalizar relações e, acima de tudo, oferecer uma jornada mais fluida, humana e resolutiva para nossos usuários”, completa.
O executivo cita como prioridades para a empresa a rápida recuperação dos níveis históricos de rentabilidade e a desalavancagem financeira. Esse processo “poderá envolver desinvestimentos em ativos menos estratégicos”, afirma.
Na última quarta-feira (1º), a gestora Squadra, acionista da Hapvida, com 6,98% das ações, encaminhou uma carta à empresa na qual elencou 13 pontos que considera problemáticos em sua gestão recente. Entre eles, perda de valor de mercado, resultados operacionais negativos a despeito da recuperação do setor de saúde, reapresentação de balanços e prejuízos aos minoritários.
A gestora também afirmou que a sucessão na cadeira de diretor-presidente, sendo de “extrema relevância”, deveria ser reavaliada pelo conselho a ser eleito na próxima assembleia geral ordinária. Para compor o colegiado, a Squadra indicou Eduardo Parente (ex-Yduqs e presidente do conselho da Equatorial), Tania Sztamfater Chocolat (membro do conselho da Equatorial e da Totvs) e Bruno Magalhães e Silva (sócio da Squadra).
A Squadra alegou que tentou negociar com a direção, no entanto, as tentativas foram frustradas e, diante das propostas apresentadas pela administração para a próxima assembleia, entende ser seu dever fiduciário, como acionista relevante, defender mudanças na composição do conselho de administração e “correções de rumo na condução dos negócios da companhia”.