Telemedicina do Pequeno Príncipe conecta UTIs neonatais do Paraná
10/04/2026

Um projeto pioneiro de telemedicina está ampliando o diagnóstico precoce de cardiopatias congênitas e qualificando o cuidado de recém-nascidos no Paraná. O Bate-Bate Coração, financiado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), e realizado pelo Hospital Pequeno Príncipe, busca qualificar a assistência neonatal com o uso estratégico da tecnologia e a regionalização da saúde.

“O projeto busca fortalecer a regionalização da assistência e o uso inteligente da tecnologia para ampliar o acesso a um atendimento especializado, humanizado e resolutivo. Já foram destinados R$ 3 milhões para cinco hospitais, mas a iniciativa será ampliada para outras instituições. Estamos investindo para que os bebês cardiopatas sejam atendidos com mais rapidez, segurança e qualidade, em qualquer região do Paraná”, destaca o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

Relevância

A proposta conecta UTIs neonatais de hospitais regionais ao Hospital Pequeno Príncipe, referência nacional em cardiologia pediátrica. Por meio de tecnologia interativa, equipes médicas de diferentes regiões discutem casos em tempo real com especialistas do Hospital em Curitiba. Esse modelo permite apoiar diagnósticos, orientar a estabilização clínica e estruturar planos terapêuticos mais assertivos, garantindo o melhor cuidado ao paciente. Com isso, também é possível definir, com maior precisão, o momento e a necessidade de transferência para centros de alta complexidade, otimizando as remoções e ampliando a resolutividade local, o que evita deslocamentos desnecessários e qualifica toda a jornada do paciente, desde o diagnóstico até a alta hospitalar.

Ao garantir diagnóstico oportuno e encaminhamento adequado, o programa foca na redução da morbidade e da mortalidade infantil, especialmente entre pacientes com cardiopatias congênitas. No estado, as cardiopatias congênitas representam um desafio relevante de saúde pública. Entre 2015 e 2024, essas condições estiveram associadas a 9,7% das mortes de crianças menores de 1 ano, evidenciando a importância de estratégias estruturadas para diagnóstico e tratamento precoce.

Com investimento inicial de R$ 312 mil para implantação e aporte anual de cerca de R$ 1,4 milhão para custeio, com duração de dois anos, esta primeira fase envolve o Hospital Regional do Norte Pioneiro (Santo Antônio da Platina), o Hospital Norospar (Umuarama), a Santa Casa de Paranavaí, a Santa Casa de Irati e o Hospital Regional do Sudoeste Walter Alberto Pecotis (Francisco Beltrão).
 

Impacto

Essas unidades recebem apoio técnico direto do Hospital Pequeno Príncipe para avaliação de casos e atendimento especializado, com equipes de cardiologia e neonatologia, suporte de múltiplas especialidades sob demanda, capacitação em ecocardiograma e realização de ecocardiogramas remotos guiados a distância, além de atividades educacionais regulares, como aulas quinzenais sobre diferentes temáticas assistenciais.

As teleconsultorias começaram no segundo semestre de 2025 e, em poucos meses, essas ações já apresentaram resultados relevantes. Até o momento, foram mais de 700 discussões de casos clínicos, envolvendo a avaliação de 205 recém-nascidos e a participação de 49 profissionais das unidades hospitalares que integram o programa. Nesse período, 32 pacientes foram diagnosticados com cardiopatia; desses, quatro precisaram ser transferidos.

Embora tenha foco nas cardiopatias congênitas, o programa atua de forma ampliada no suporte clínico às equipes que atendem recém-nascidos graves. Além da transferência dos bebês cardiopatas, 16 recém-nascidos com outras comorbidades precisaram ser encaminhados para hospitais especializados. Os dados demonstram não apenas a ampliação do acesso ao diagnóstico especializado, mas também maior assertividade na tomada de decisão clínica e na regulação dos casos.

Linha-guia para o cuidado

O projeto também contempla a construção de uma linha-guia (documento de referência para organizar, alinhar ou direcionar a atuação dos profissionais) para o cuidado ao cardiopata congênito no estado do Paraná, a capacitação das equipes regionais, a implementação de protocolos clínicos e o suporte técnico. Além da atuação remota, foi implantada uma sala de situação no Hospital Pequeno Príncipe, dedicada à teleconsultoria para as unidades hospitalares que contam com UTI neonatal, definidas estrategicamente.

A formação contínua, com vistas ao aperfeiçoamento técnico das equipes, como cursos de ecocardiograma para equipes das UTIs neonatais, entre outros, é mais um pilar do programa. Desde o início do projeto, as atividades formativas somam 246 participações que envolveram 174 profissionais, fortalecendo a qualificação técnica das equipes das UTIs neonatais envolvidas.

“O impacto da iniciativa se insere em um cenário de alta demanda. O Paraná registra cerca de 150 mil nascimentos por ano, com estimativa de que aproximadamente 1.200 bebês apresentem cardiopatia congênita, dos quais cerca de 400 necessitam de cirurgia ainda no período neonatal. O projeto foi desenvolvido pelo Pequeno Príncipe para oferecer suporte remoto a uma parcela desses casos, promovendo um cuidado mais ágil, seguro e recebendo apoio institucional e financeiro da Sesa”, diz o diretor corporativo do Complexo Pequeno Príncipe, José Álvaro Carneiro.





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