Procedimento inédito em Brasília utiliza o robô Da Vinci Xi para realizar intervenção menos invasiva e mais segura que as opções tradicionais. A novidade coloca a capital federal no radar entre os centros mais capacitados do país na realização desse tipo de procedimento
O Hospital Santa Lúcia Sul (HSLS) consolidou um marco inédito para a medicina da capital federal ao realizar, em 28 de março, a primeira cirurgia cardíaca robótica de sua história e do Distrito Federal. O procedimento, conduzido com auxílio da plataforma Da Vinci Xi, marca o início de uma nova era de intervenções minimamente invasivas em Brasília, posicionando a instituição entre os poucos centros de excelência do país capacitados para realizar cirurgias cardiovasculares de alta tecnologia.
A operação foi liderada pelos cirurgiões cardíacos Dr. Cláudio Cunha e Dr. Paulo César Santos, com participação da cirurgiã cardiovascular Dra. Jéssica Silva Silvério, e do cardiologista e coordenador de ECMO, Transplante Cardíaco e Insuficiência Cardíaca Avançada do Grupo Santa, Dr Vitor Barzilai. O primeiro paciente da novidade no DF apresentava uma degeneração da válvula mitral de origem congênita, que evoluiu para um quadro de insuficiência. A técnica aplicada foi a plastia, que consiste na reconstrução da própria válvula do paciente, evitando a necessidade de substituição por uma prótese.
Para o Dr. Victor Figueiredo, coordenador do Programa de Cirurgia Robótica do Grupo Santa, o feito representa uma evolução institucional e clínica. “Do ponto de vista médico, introduzimos procedimentos cardíacos minimamente invasivos com altíssimo nível de precisão. Institucionalmente, reforçamos o papel do Grupo Santa como protagonista na incorporação de tecnologias de ponta, consolidando nossa posição como um dos principais centros de inovação em cirurgia robótica do país”, destaca.
Precisão milimétrica
Diferentemente da cirurgia cardíaca convencional, que exige a abertura do esterno – o osso central do peito -, a técnica robótica utilizada no caso recente foi realizada por meio de pequenas incisões laterais entre as costelas. Por meio desses portais, braços robóticos controlados pelo cirurgião operam com uma visão tridimensional de alta definição e instrumentos que filtram tremores, permitindo suturas extremamente refinadas em espaços restritos.
Essa abordagem reduz drasticamente as complicações mais temidas das cirurgias de peito aberto. Enquanto a cirurgia cardíaca convencional apresenta um risco de morte estimado entre 1% e 3%, e de morbidade agregada em torno de 15% – geralmente ligada a infecções respiratórias ou da ferida operatória —, a robótica minimiza esses índices ao manter a integridade do osso esterno.
O Dr. Vitor Barzilai lembra que o processo oferece mais segurança para o paciente. “A cirurgia robótica representa uma redução drástica nas complicações relacionadas a sangramento e infecções. Como a ferida operatória não abre o osso do peito, a previsibilidade de complicações passa a ser muito mais controlada”, enfatiza.
Recuperação acelerada e jornada do paciente
Os benefícios da tecnologia Da Vinci Xi refletem-se diretamente no tempo de internação e na retomada da rotina. Em um procedimento convencional, a média de permanência hospitalar é de sete dias. Com a robótica, a expectativa cai para um período entre três e cinco dias. Além disso, a redução do trauma cirúrgico permite que o paciente seja extubado ainda no centro cirúrgico e inicie a mobilização, como sentar e andar, no mesmo dia da operação.
Para o Dr. Claudio Cunha, a tecnologia eleva a experiência do cuidado. “O paciente tem uma recuperação mais rápida e menos dolorosa, retornando precocemente ao trabalho e às atividades rotineiras. Além do benefício estético, é um marco que eleva o patamar da cardiologia da nossa região diante de todo o Brasil”, comenta o médico.
Embora inovadora, a cirurgia robótica é indicada para casos específicos em que o benefício da técnica minimamente invasiva é maximizado. Os candidatos ideais são aqueles que necessitam de intervenções simples e únicas, como correção de doenças da válvula mitral, fechamento de defeitos do septo interatrial ou ventricular, retirada de tumores cardíacos benignos e revascularizações miocárdicas selecionadas. As indicações também priorizam a anatomia favorável dos pacientes e a baixa incidência de doenças associadas, para garantir a máxima segurança.
A implementação da técnica no Hospital Santa Lúcia Sul é fruto de um preparo rigoroso que durou mais de três anos. A equipe realizou mais de 100 cirurgias prévias em outros centros, inicialmente tutoradas por especialistas estrangeiros, para consolidar a expertise necessária antes de inaugurar o serviço em Brasília. Com este marco, pacientes do Distrito Federal e de toda a região Centro-Oeste passam a ter acesso local a tratamentos que antes exigiam deslocamentos para outros estados.
Maior Centro de Cirurgia Robótica da região Centro-Oeste
Com este marco da primeira cirurgia cardíaca robótica na capital federal, o Grupo Santa projeta-se também como um polo educacional. Atualmente, o hospital já é credenciado como Centro de Treinamento em Cirurgia Robótica para múltiplas especialidades – urologia, cirurgia torácica, cirurgia oncológicas, cirurgia do aparelho digestivo, ginecologia, cirurgia de cabeça e pescoço, coloproctologia e cirurgia geral –, e pretende capacitar outras equipes médicas do Brasil na área cardiovascular.
“O impacto desse programa é consolidar a robótica como uma alternativa viável para procedimentos cirúrgicos”, conclui o Dr. Vitor Barzilai. Cada caso é avaliado de forma individualizada para garantir que a tecnologia robótica seja aplicada no momento certo, oferecendo o que há de mais moderno e humanizado na medicina cardiovascular contemporânea.
Além disso, o Hospital Santa Lúcia é o único da região Centro-Oeste que possui 2 sistemas da Vinci Xi – considerado o mais avançado do mundo para realização de cirurgias de alta complexidade. A unidade da Asa Sul, por exemplo, é a única do Brasil a compor 4 diferentes robôs cirúrgicos de última geração em um mesmo hospital.
“Mais precisa e segura do que os métodos tradicionais, as tecnologias robóticas estão auxiliando médicos na busca por resultados cada vez melhores em cirurgias, minimizando riscos aos pacientes”, afirma o Dr. Victor Figueiredo, coordenador do Programa de Cirurgia Robótica do Grupo Santa.