IA na acreditação: o risco não é usar — é usar errado
16/04/2026

Nesta terça-feira (14), a Anahp realizou mais uma edição do seu Café da Manhã, dessa vez em parceria com Noxtec e Fibbo, para discutir como a inteligência artificial pode apoiar o processo de acreditação hospitalar.

Participaram do encontro:

  • Antônio Cavalcanti, Head de IA do Fibbo;
  • Vinícius Damasceno, gerente de produto da Noxtec;
  • Francisco Júnior, gerente de Qualidade do Sabará Hospital Infantil;
  • Francisco Neri, CMIO do Grupo Santa Joana;
  • Heleno Costa Júnior, superintendente do CBA/JCI;
  • Thiago Uchôa, diretor comercial da Noxtec (moderação).

 

Confira os principais pontos da discussão sobre aplicação, governança e resultado da IA na operação hospitalar e no processo de acreditação:

IA para escalar a acreditação

O número de hospitais acreditados no Brasil ainda é pequeno diante do tamanho do sistema. A limitação não está apenas na exigência técnica, mas na combinação de custo, complexidade e capacidade operacional das instituições — especialmente as de menor porte.

Nesse contexto, a inteligência artificial passa a atuar exatamente onde a acreditação mais exige esforço, ou seja, na organização, rastreabilidade e consistência de dados.

“A acreditação ainda é restrita porque custa caro e é complexa. A IA tem potencial direto de reduzir essas duas barreiras” — Antônio Cavalcanti

Um dos principais erros está na escolha da tecnologia

Um dos pontos mais fortes do debate foi o alerta sobre o uso equivocado da inteligência artificial dentro dos hospitais. O problema não é falta de tecnologia, mas a falta de alinhamento entre problema e solução, como:

  • uso de IA sem estratégia clara;
  • confusão entre automação, analytics e inteligência artificial;
  • excesso de foco em IA generativa, sem olhar para outras aplicações;
  • baixa compreensão técnica nas decisões de contratação.

 

“A maior parte dos projetos falha porque resolve o problema errado com a tecnologia errada” — Antônio Cavalcanti

A qualidade dos dados continua sendo ponto crítico

A qualidade dos dados ainda é um dos principais desafios das instituições e os indicadores assistenciais — especialmente os ligados ao comportamento humano — seguem sujeitos a distorções:

  • registros que não refletem exatamente o que aconteceu;
  • viés de quem preenche ou coleta;
  • dificuldades na captura e interpretação dos dados assistenciais.

 

“A gente mede o que está registrado, mas nem sempre o registro reflete o que aconteceu na assistência” — Francisco Júnior

A discussão mostrou que a contribuição da IA está na mudança de escala e consistência da análise, permitindo:

  • sair de amostras para análise em escala;
  • acompanhar jornadas completas de pacientes;
  • reduzir dependência de observação manual;
  • aumentar a consistência dos dados.

 

A lógica da acreditação está mudando

Do ponto de vista das acreditadoras, a inteligência artificial deixa de ser apenas ferramenta de apoio e entra no escopo de avaliação das instituições, com exigências relacionadas a:

  • governança de dados;
  • transparência;
  • rastreabilidade;
  • uso responsável da tecnologia.

 

“O uso de IA já entrou como requisito de avaliação — não é mais tendência, é critério” — Heleno Costa Júnior

Agora será preciso demonstrar como a tecnologia é aplicada, com quais controles e impactos.

Onde a IA já entrega resultado na prática

Na dimensão operacional, o debate trouxe exemplos concretos de uso, especialmente na gestão da qualidade e da documentação assistencial.

Entre os principais ganhos observados:

  • detecção automática de inconsistências em prontuários;
  • identificação de cópias indevidas e baixa qualidade de registros;
  • monitoramento do uso correto de siglas;
  • análise de acessos ao prontuário;
  • apoio à padronização de processos assistenciais.

 

A mudança está na forma de operar:

  • análise contínua, não pontual;
  • atuação preventiva, não corretiva;
  • suporte à equipe, sem substituir a decisão clínica.

 

“A diferença é sair da auditoria pontual para um monitoramento contínuo da qualidade dos dados” — Vinícius Damasceno

Mais eficiência exige mais governança

Se por um lado a IA amplia eficiência, por outro exige um novo nível de responsabilidade institucional. Ao longo do debate, ficou evidente que o uso sustentável da tecnologia passa por alguns pilares:

  • governança estruturada sobre dados;
  • clareza sobre riscos e limites de cada aplicação;
  • definição de níveis de autonomia;
  • manutenção do papel humano em decisões críticas.  

 

A evolução da legislação e das diretrizes internacionais aponta na mesma direção – uso responsável, transparente e auditável.

O que dizem os especialistas

O debate reforça que a inteligência artificial já deixou de ser um diferencial para se consolidar como parte da infraestrutura da gestão hospitalar. Mas esse avanço não é automático.

Entre o potencial da tecnologia e o resultado concreto existe um intervalo que depende de decisões mais qualificadas — principalmente na escolha das aplicações, na qualidade dos dados e na construção de governança.

Nesse contexto, a acreditação ganha um novo papel e, mais do que validar processos, evolui para refletir a capacidade institucional de organizar, interpretar e utilizar dados de forma consistente — inclusive no uso da própria inteligência artificial.

Fonte: Anahp




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