Hospital Ernesto Dornelles recebe prêmio do Global Innovation Institute
29/04/2026

Hospital Ernesto Dornelles de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, foi uma das vencedoras do prêmio concedido pelo Global Innovation Institute (GInI), considerado uma das principais referências mundiais na certificação e avaliação de práticas inovadoras. A conquista integra o Global Innovation Development Index (GDI) 2025, que avaliou 1.476 iniciativas de diferentes países. Destas, apenas 100 organizações foram reconhecidas, todas com pontuação superior a 90 pontos, em um processo conduzido por um painel de 19 especialistas internacionais, abrangendo projetos de 26 países.

O reconhecimento foi concedido ao projeto Conecte Saúde – Collaborative Health Interoperability Ecosystem, uma iniciativa desenvolvida em parceria com o Hospital Mãe de Deus, o Hospital São Lucas da PUCRS e a Unimed Porto Alegre, com solução tecnológica da Sisqualis. Mais do que uma inovação tecnológica, o projeto tem como propósito integrar informações clínicas entre diferentes instituições, promovendo um cuidado mais seguro, ágil e centrado no paciente.

De acordo com Geraldo Aguiar, gestor de projetos e inovação do HED, a interoperabilidade representa uma mudança concreta na forma como o cuidado é conduzido. “Ela permite que o histórico das informações clínicas do paciente esteja disponível, independentemente da instituição onde ele esteja sendo atendido. Isso reduz retrabalho, evita exames duplicados e qualifica a tomada de decisão,” explica.

Aguiar destaca ainda que o impacto vai além da tecnologia: “Mais do que integrar sistemas, estamos integrando o cuidado. Isso gera impacto direto na segurança, na experiência do paciente e na eficiência assistencial. No fim, a tecnologia atua como meio para garantir um cuidado mais ágil, seguro e verdadeiramente centrado na pessoa,” completa.

 

Desafios e reconhecimento

Apesar do reconhecimento internacional, o caminho até a consolidação do projeto foi desafiador. Segundo o gestor de projetos, o principal obstáculo não esteve na tecnologia, mas na construção coletiva entre diferentes instituições. “Foi necessário alinhar contextos e interesses distintos, estruturar um modelo sólido de governança, garantir conformidade com a LGPD e transformar uma visão conceitual em uma solução concreta e funcional”, destaca.

A colaboração entre instituições distintas, que em muitos cenários, também atuam como concorrentes, é justamente, um dos diferenciais do Conecte Saúde. Esse processo, segundo Geraldo, foi construído gradualmente. “A confiança não é um ponto de partida, é uma construção contínua. Ela foi viabilizada por um propósito comum, transparência nas regras e segurança no uso das informações. E, acima de tudo, pela contribuição e comprometimento de cada parceiro envolvido, sem essa colaboração, este projeto não teria alcançado os resultados que estamos construindo”, afirma.

O projeto também evidencia a importância da atuação integrada de diferentes áreas. Equipes de segurança da informação, gestão jurídica, integração e desenvolvimento, além da infraestrutura, tiveram papel essencial para garantir que a solução fosse implementada com responsabilidade, segurança e eficiência.

O compartilhamento seguro de informações

Do ponto de vista tecnológico, o gerente de tecnologia da informação do hospital, Luis Goulart, destaca a complexidade da iniciativa. “O principal desafio foi viabilizar a interoperabilidade entre sistemas de diferentes instituições, que utilizam plataformas distintas e não foram originalmente concebidas para operar em conjunto. Mais do que conectá-los, foi necessário garantir que as informações fossem compreensíveis, úteis e compartilhadas com total segurança”, explica.

Segundo ele, o projeto exigiu um equilíbrio delicado entre proteção de dados e acesso qualificado à informação. “Estamos lidando com dados sensíveis, o que exigiu garantir confidencialidade, integridade e compartilhamento baseado no consentimento do paciente, em conformidade com a LGPD”, pontua.

Goulart também ressalta que a interoperabilidade vai além da tecnologia. “Foi necessário alinhar processos, padronizar rotinas e construir relações de confiança entre as instituições. Essa combinação entre tecnologia e alinhamento institucional é o que garante um cuidado mais seguro, coordenado e centrado no paciente”, afirma.

Na avaliação do gestor, o diferencial do projeto está na sua capacidade de gerar valor real para o sistema de saúde. “O Conecte Saúde estrutura um ambiente conectado entre hospitais e operadora, permitindo uma visão mais completa do paciente ao longo de toda a sua jornada. A informação passa a acompanhar o paciente, contribuindo para evitar procedimentos desnecessários, reduzir riscos e qualificar decisões clínicas”, destaca.





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