IA, longevidade e novos modelos: Hospital Moinhos de Vento reúne especialistas para discutir o futuro da saúde
12/05/2026

As transformações tecnológicas na saúde se tornam cada vez mais rápidas e frequentes, mas o principal desafio está em como aplicá-las para qualificar a assistência e melhorar a vida das pessoas. Essa reflexão guiou o Atrion Day 2026, promovido pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, que reuniu especialistas para discutir seus impactos na organização dos serviços e no cuidado ao paciente. 

Com uma visão estratégica sobre o futuro do setor, a partir da chamada “nova economia da longevidade”, Bruno Pina, CEO do European Longevity Hub, destacou que o sistema de saúde caminha para um modelo menos reativo, mais preditivo e voltado ao aumento do tempo de vida saudável. “A longevidade é consequência de se trabalhar a prevenção e começar a jornada de cuidado antes dos sintomas”, afirmou.

Pina explicou ainda que o envelhecimento populacional, aliado ao avanço de tecnologias como inteligência artificial e biomarcadores, têm impulsionado investimentos e exigido mudanças na organização dos modelos assistenciais. Nesse contexto, o monitoramento contínuo e o uso de dados tendem a ganhar protagonismo. “Detectar doenças mais cedo reduz custos e melhora os resultados”, concluiu.

IA e eficiência hospitalar

A mesa-redonda “A Nova Era Hospitalar: Como a IA está eliminando desperdícios e elevando a qualidade assistencial” trouxe um olhar pragmático sobre o uso da inteligência artificial na rotina dos serviços de saúde. O principal ponto do debate foi a necessidade de ampliar a validação científica para comprovar o custo-benefício das soluções.

Os especialistas convergiram na avaliação de que a adoção depende da integração aos fluxos já existentes. “As soluções mais eficazes causam pouca disrupção e aprimoram o processo quase de forma invisível”, afirmou o médico emergencista do Hospital Moinhos de Vento, Lucas Silva, que defendeu mais estudos para avaliar os impactos na prática clínica.

Na mesma linha, o cofundador e cientista de dados da NoHarm.ai, Henrique Dias, ressaltou que a incorporação só se sustenta quando há ganho comprovado de eficiência, redução de custos e sem aumento da carga de trabalho dos profissionais. Já Leonardo Bork, CEO da Clinia, destacou que a inteligência artificial atua como um grande amplificador e, quando os dados estão desorganizados, tende a reproduzir essas inconsistências, evidenciando a importância da correta estruturação das informações para o sucesso das ferramentas. 

A programação incluiu ainda discussões sobre o uso da IA generativa na saúde, gêmeos digitais, governança e regulação, além da convergência de tecnologias que vêm moldando o setor. Entre os destaques, o painel “Decisão, tecnologia e transformação na saúde pública” reuniu Sandro Kirst, diretor-geral da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, Fernando Ritter, secretário municipal de Saúde de Porto Alegre, e Jorge Osório, diretor de Inovação da Secretaria Municipal de Saúde da capital, que abordaram o papel da tecnologia na gestão e na ampliação do acesso.

O evento contou também com a final do Atrion Arena, iniciativa voltada à conexão entre inovação, empreendedorismo e aplicação prática no sistema de saúde. A startup Xtory foi a vencedora, a PixLabs ficou em segundo lugar e a LimbX em terceiro. Também participaram desta edição as startups Marcosys, Rmed, SPO Tecnologia, Xtory, Hemodoctor, PixLabs, LimbX e Warux Health. 

Cinco anos do Atrion

O Atrion Day 2026 marcou ainda os cinco anos do Atrion, centro de inovação do Hospital Moinhos de Vento. O CEO Mohamed Parrini destacou o papel estratégico da iniciativa na transformação institucional. “Quando lançamos esse projeto, em 2021, o objetivo era estar perto da inovação, olhar para o futuro e ajudar o hospital a se renovar. As tecnologias evoluem rapidamente, por isso precisamos entender como aplicá-las para gerar valor real na vida das pessoas”, afirmou.

A superintendente de Estratégia e Mercado do Hospital Moinhos de Vento, Melina Schuch, destacou que o Atrion se consolidou como um espaço de conexão entre diferentes agentes do ecossistema de saúde, estimulando a colaboração e o desenvolvimento de soluções inovadoras.
 

“Os desafios da saúde estão em constante transformação e a inovação só acontece quando conseguimos unir conhecimento, tecnologia e pessoas em torno de um propósito comum. O Atrion nasceu com esse objetivo e, ao longo desses cinco anos, vem fortalecendo essa rede de colaboração para gerar impacto real na assistência e ampliar o acesso à saúde”, ponderou.

Fonte: Anahp




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