Quando se fala em transformação digital na saúde, o debate costuma caminhar rapidamente para prontuário eletrônico, atendimento ao paciente ou apoio à decisão clínica. Mas há uma camada menos visível, e igualmente estratégica, em que a tecnologia também começa a redefinir processos: a logística.
Esse foi o eixo da conversa com José Roberto Ferraz, CEO do Grupo Elfa, no segundo episódio do Podcast Hospitalar: Estúdio Saúde Business, gravado diretamente da Hospitalar 2026. Durante a entrevista, o executivo explicou como a companhia passou a usar inteligência artificial para responder cotações, automatizar vendas e dar mais velocidade a uma operação que atende hospitais e clínicas em diferentes regiões do país.
Resultado da fusão de 22 empresas, o Grupo Elfa opera hoje com 18 centrais logísticas no Brasil. Segundo Ferraz, a companhia processa cerca de 30 mil cotações por dia e realiza 60 mil entregas por mês. A escala ajuda a dimensionar o desafio: em uma cadeia em que o tempo de resposta pode impactar diretamente a disponibilidade de medicamentos, insumos e produtos hospitalares, eficiência logística também passa a ser parte da discussão sobre acesso à saúde.
Na distribuição médico-hospitalar, vender raramente começa com um pedido fechado. Antes disso, há uma etapa essencial: responder cotações enviadas por hospitais e clínicas, muitas vezes com dezenas de itens, diferentes formatos e pouca padronização.
Ferraz explicou que essas solicitações chegam por canais variados, como plataformas de compra, e-mail e WhatsApp. Podem vir em planilhas, PDFs, mensagens de texto ou com nomes de produtos escritos de formas diferentes. Em uma operação de alto volume, esse processo deixava de ser apenas administrativo e se tornava um gargalo operacional.
Foi a partir desse ponto que a empresa desenvolveu o Cotaí, solução de inteligência artificial criada para interpretar as solicitações, identificar os produtos, consultar preço, crédito do cliente e disponibilidade logística, e responder às cotações de forma automatizada.
A tecnologia levou cerca de dois anos para atingir o nível de maturidade necessário para operar em escala nacional. Segundo Ferraz, o sistema chegou a 99,99% de acuracidade e hoje já representa 15% do faturamento da companhia.