Saúde mental eleva custos das empresas, aponta pesquisa
27/05/2026

“Tratar o bem-estar como um benefício supérfluo e periférico é o maior atestado de indiferença na gestão de ativos que uma liderança pode assinar hoje”, diz Ricardo Guerra, CEO do Wellhub no Brasil, com base na pesquisa “ROI do Bem-Estar 2026”, executada pela mesma empresa de benefícios corporativos. O levantamento, obtido com exclusividade pelo Valor, entrevistou 150 líderes brasileiros de RH e concluiu que, para 89% deles, problemas de saúde mental entre funcionários elevam os custos da empresa. 

“Basta olhar para o macro para entender que o modelo atual faliu. Nos últimos três anos, o Brasil registrou recordes históricos e consecutivos de afastamentos do trabalho concedidos pelo INSS por transtornos mentais e comportamentais”, ressalta o executivo. De acordo com ele, o erro do líder é a concentração de esforços para gerir o problema, e não a solução. “Somos acostumados a remediar a doença em vez de financiar a prevenção”, complementa. 

Além disso, o CEO alerta que o colapso da saúde mental na folha não é apenas uma projeção para o futuro. “Ele está acontecendo agora, destruindo valor e pressionando a produtividade das empresas”, afirma. 

Mesmo quando a empresa proporciona soluções para a saúde do corpo e da mente dos trabalhadores, a cultura influencia a adesão aos benefícios. “Temos casos de empresas que são praticamente espelhos; concorrentes diretas. [...] Ainda assim, uma delas tem 20% de adesão, enquanto a vizinha atinge 60% de engajamento”, conta Guerra. Ele defende que tratar o bem-estar como cultura, e não como benefício passivo, proporciona uma extração maior do valor do investimento. 

“O impacto disso no balanço final é brutal: enquanto a empresa madura mantém o mesmo plano de saúde por 7 ou 8 anos devido à sinistralidade controlada, a concorrente é forçada a trocar de operadora a cada dois anos para estancar os reajustes”, pontua. O executivo destaca que a retenção também é afetada, tendo em vista que a companhia consciente se torna mais admirada como marca empregadora. “A outra se torna uma sombra no mercado”, conclui. 
 

O cenário brasileiro reflete uma tendência global. Pelo mundo, foram entrevistados 1.515 líderes. 95% dos que mensuram o ROI de bem-estar registram retorno positivo. Três em cada quatro relatam um retorno superior a 50%, e quase 25% apontam que esse retorno passa dos 100%. “O ponto cego da liderança cética vai além da matemática direta. Historicamente, associou-se produtividade a controle, pressão e eficiência operacional pura. Só que as regras do jogo mudaram”, elabora o CEO do Wellhub. 

Guerra sustenta que a competitividade de uma companhia depende de competências humanas como criatividade, clareza mental, velocidade de adaptação e qualidade de decisão. “A exaustão emocional drena exatamente essas capacidades”, aponta. “Bem-estar corporativo não é uma pauta institucional 'soft'; é infraestrutura de proteção de performance cognitiva”, encerra. 
 





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