O cálculo de reajuste do plano de saúde individual deste ano desconsidera a Hapvida — o que ajudou a reduzir o índice, cujo teto anunciado nesta sexta-feira (29) pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) ficou em 5,11%, a menor variação desde 2021, quando o indicador foi negativo devido à pandemia.
A ANS sempre expurga algumas operadoras consideradas “outliers” em seu cálculo. Neste ano, foi a Hapvida que tem grande peso na carteira de planos individuais, com um total de 1,5 milhão de beneficiários. O setor como um todo tem 8,4 milhões de pessoas convênio médico individual.
Considerando a Hapvida, o reajuste ficaria na casa de 7,8%.
A Hapvida foi retirada dos cálculos porque sua maior subsidiária apresentou uma variação de despesa médica (VDA) elevada, de 35,2%, muito próxima do limite de 36,9% — patamar considerado atípico para a ANS. Esse aumento nas despesas foi devido à “realocação de custos de sinistros, o que colocou a operadora próxima ao limite superior de ‘outlier’. Após a aplicação da lista de exclusões, as distribuições dos VDAs mudaram, alterando os limites dos quartis e reduzindo o limite de ‘outlier’ para 34,3%”, segundo os analistas do Morgan Stanley, Maurício Cepeda e Lucas Nagano.
No começo de abril, a ANS informou a lista de operadoras excluídas do cálculo, o que fez o mercado rever os índices de reajustes para baixo. No total, 146 operadoras foram retiradas, sendo que 97 tinham ressalvas em seus balanços contábeis.
Em sua apresentação hoje, a ANS informou que a cobertura da análise de cálculo do reajuste considerou uma base de 92% dos beneficiários, deixando dúvidas se realmente a Hapvida foi retirada devido a sua representatividade. Mas a ANS confirmou que a variação do custo médico da Hapvida foi retirada do cálculo do reajuste neste ano.
As ações da Hapvida operam em queda de 3,85%, por volta das 11h50, cotadas a R$ 12. “Entre as empresas listadas, a Hapvida se destaca por sua exposição ao segmento de planos individuais, com 18% de sua base de beneficiários vinculada a planos individuais, tornando o ajuste mais relevante na margem”, segundo a equipe de analistas do Itaú BBA, liderada por Vinícius Figueiredo.
O analista do Itaú BBA lembra que a Hapvida tem compensado aumentos de preços menores em contratos antigos com preços mais altos em novos produtos, o que tem sustentado um crescimento mais forte do tíquete médio no segmento nos últimos trimestres.
Em relação ao setor, Figueiredo pondera que embora o ajuste anunciado esteja no limite inferior das expectativas, uma desaceleração pareceu mais razoável do que um aumento, considerando a recuperação da rentabilidade observada no segmento de planos de saúde nos últimos dois anos.