A inteligência artificial deixou de ser uma aposta distante para se tornar parte dasestratégias de inovação dos hospitais. Ferramentas voltadas à documentação clínica, apoio à decisão, gestão operacional e automação de processos já fazem parte da realidade de muitas instituições. Ainda assim, transformar essas iniciativas em resultados concretos continua sendo um desafio.
Esse foi o tema de mais uma edição do Anahp Ao Vivo, realizada em 28 de maio. O encontro também marcou o lançamento do Escritório de IA Anahp, iniciativa do Instituto Anahp voltada a apoiar hospitais na adoção da inteligência artificial de forma estruturada, segura e alinhada às necessidades do setor.
Participantes:
O especialista Miguel Trigo defendeu que a discussão sobre inteligência artificial precisa avançar para além da escolha de ferramentas. Para ele, o principal desafio está em transformar tecnologia em mudanças efetivas nos processos e na gestão das organizações.
Principais pontos:
Um espaço para apoiar a adoção da IA na saúde
A abertura do encontro foi dedicada à apresentação do Escritório de IA Anahp, criado para apoiar hospitais em temas como capacitação, governança, avaliação de soluções e compartilhamento de boas práticas.
Entre os objetivos da iniciativa estão:
A proposta é aproximar a discussão sobre inteligência artificial da realidade das instituições de saúde, ajudando os hospitais a avançar da experimentação para a aplicação prática.
Muito investimento, pouco impacto
Grande parte da apresentação foi dedicada ao contraste entre o crescimento dos investimentos em inteligência artificial e os resultados efetivamente alcançados pelas organizações.
Entre os dados apresentados:
A avaliação apresentada é que muitas organizações ainda tratam a IA como uma solução isolada, quando os problemas que tentam resolver estão ligados a processos, fluxos de trabalho e modelos de decisão.
“Os hospitais não têm um problema de inteligência artificial. Têm um problema de coordenação.” – Miguel Trigo
Onde a IA costuma gerar ganhos — e onde costuma decepcionar
Uma parte importante da discussão foi dedicada aos diferentes níveis de aplicação da IA dentro das organizações.
Muitas iniciativas atuais estão concentradas em atividades específicas, como:
Esses ganhos ajudam a aumentar a produtividade das equipes e reduzir atividades repetitivas. O desafio surge quando a expectativa é que melhorias localizadas sejam suficientes para transformar o desempenho da organização.
Os maiores resultados aparecem quando a tecnologia contribui para reorganizar processos completos e melhorar a interação entre diferentes áreas.
Entre os exemplos debatidos estiveram iniciativas relacionadas a:
Acelerar tarefas é importante, mas as maiores oportunidades de ganho estão na revisão dos fluxos que conectam essas tarefas.
O ponto de partida continua sendo o problema
A discussão mostrou que iniciativas de IA tendem a gerar mais resultado quando partem de um problema claramente definido e de objetivos concretos para pacientes, profissionais e organizações.
“O paciente não compra um hospital. O paciente procura um progresso.” – Miguel Trigo
A tecnologia apareceu como um meio para ampliar acesso, melhorar a experiência do paciente, reduzir gargalos operacionais e apoiar decisões clínicas e administrativas — e não como um objetivo em si.
O que os hospitais precisam estruturar antes de escalar a IA
Além da tecnologia, o encontro abordou temas ligados à governança, gestão de riscos e responsabilidade institucional.
Entre os pontos destacados estão:
O uso de ferramentas de IA por colaboradores sem supervisão institucional — prática conhecida como Shadow AI — é um dos pontos de atenção para as organizações, especialmente em temas relacionados à segurança da informação e proteção de dados.
Também foi reforçada a importância do envolvimento da liderança na definição de prioridades, critérios de uso e acompanhamento dos resultados obtidos com a tecnologia.
Conclusão
A inteligência artificial foi apresentada como um recurso capaz de aumentar produtividade, apoiar decisões e criar novas capacidades para os hospitais. Os resultados mais consistentes, porém, aparecem quando tecnologia, processos, governança e estratégia avançam na mesma direção.
Para as lideranças hospitalares, a questão central passa por identificar onde estão os principais gargalos da operação e avaliar como a IA pode contribuir para resolvê-los de forma mensurável. Afinal, o valor da tecnologia não está na quantidade de projetos implementados, mas nos resultados que eles conseguem produzir.